motoperpetuo10[1]

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“Os que buscam o moto-perpétuo estão tentando obter alguma coisa a partir de nada”

Sir Isaac Newton

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A idéia do moto-perpétuo é a seguinte: uma máquina que funcione infinitamente, girando cada vez mais rápida, gerando energia, mas a mesma não pode ter uma energia inicial, ou seja, ela deve começar a funcionar por conta própria, sem a ajuda de terceiros – é simples: se existir uma energia inicial, quer dizer que a máquina não gera energia por conta própria, logo ela não funcionará infinitamente. Parece impossível? Bem, os físicos também acham.
Propostas de dispositivos de moto-perpétuo são freqüentemente descartadas pelos cientistas – alguns por pensamentos dogmáticos em relação à proibição da lei da termodinâmica e as leis de conservação, outros por acharem a idéia idiota.
É um detalhe realmente histórico: nenhum moto-perpétuo funcionou até hoje, fortalecendo a lei da termodinâmica – segunda ela, o MP não pode mesmo acontecer.
Embora não pareça, muitos ainda tentam chegar ao perfeito funcionamento do MP – físicos e leigos no campo da física tentam criar a máquina mágica, a máquina que funciona a partir de nada, sendo tachados de loucos.
O sonho é milinar: em um manuscrito sânscrito original de 2.500 anos, denominado Siddhanta Ciromani, haveria a descrição de uma máquina fantástica – o moto-perpétuo. Séculos depois o matemático indiano Bhaskara – o “querido” matemático que inventou a fórmula da equação de 2° grau – detalhou o projeto, descrevendo uma roda provida de vários recipientes de mercúrio nas extreminades, pegando neste momento uma certa fama de lunático. A idéia era simples: fazer com que um lado da roda sempre estivesse mais pesado que o outro, garantindo eternas revoluções.

perpetuoRoda desequilibrada com recipientes de mercúrio de Bhaskara. No lado direito o mercúrio está mais distante do eixo, e esperava-se que a roda girasse para sempre no sentido horário.

O francês Villard de Honnecourt não quis ficar para trás e também tentou. Villard que hoje é comparado com Da Vinci – ambos são famosos pelas suas inúmeras invenções falhas – aprimorou o modelo de Bhaskara. Ele desenhou uma roda provida de um número ímpar de martelos, estes responsáveis pelo funcionamento da roda. A nova invenção entrou para o clube de suas outras invenções: as inúteis e as falhas.

Desenho de Villard

Desenho de Villard


Da vinci também esteve presente no assunto, no entando ele negou a possibilidade da máquina funcionar. Em meio as questionações, Da vinci falou:
“Ó vocês que buscam o movimento perpétuo, quantas quimeras vãs perseguiram? Vão e tomem seu lugar com os alquimistas”.
Vale ressaltar que Da Vinci quis por momento zombar dos inventores: os alquimistas tentavam transformar chumbo em ouro através da pedra filosofal (nos dias de hoje a tentativa é acertar a Lua com uma pedra).
Levando em consideração que na época poucos princípios da mecânica ainda não eram conhecidos, Da Vinci continuou falando:

“Vocês podem tentar provar a si mesmos que ao equipar tal roda com muitos pesos, cada parte que se movesse como resultado do giro iria subitamente fazer outro peso cair, e que assim essa roda permaneceria em movimento perpétuo. Mas ao fazer isso estarão enganando a si mesmos… Enquanto o peso está mais distante do centro da roda, o giro se torna mais difícil, embora a força motriz não deva variar”.

Em outras palavras Da Vinci disse: nunca funcionará!

Fora estes modelos, vários outros foram apresentados, mas nenhum aprovado. Até hoje o projeto não passa de um sonho, e talvez assim permaneça. O assunto é motivo de muito debate e chacota – um inventor precisa ficar escondido dos céticos, caso contrário o mesmo será motivo de muita, muita risada. Os sonhos perderam a importância na nossa sociedade, e a loucura, a loucura tornou-se uma coisa ruim.

E você, já tentou montar seu moto-perpétuo hoje?

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Referências:

[SIMANEK, Donald. O Museu de dispositivos impraticáveis. Ceticismo. Disponível em: http://www.ceticismo.com/perpetuum/motoperpetuo.htm. Acesso em: 31 de julho de 2009;

MORI, Kentaro. Busca sem fim:
A história, as propostas e as decepções das máquinas de movimento perpétuo. Ceticismo Aberto. Disponível em: http://www.ceticismoaberto.com/ciencia/busca_sem_fim.htm. Acesso em: 31 de julho de 2009]
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Por Henrique Guedes

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