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Nossos pensamentos, nosso raciocínio, nossa inteligência são características distintas no ser humano. Mas como estas características são adquiridas?
O empirismo tem sua resposta: tudo é fruto das experiências do ser humano. Para o empirismo, ao nascermos, nascemos vazios – somos uma página em branco, onde as experiências adquiridas ao decorrer da vida são escritas. Somos uma espécie de bloco de notas da existência.
Nascemos sem saber o que é a razão, o que é a verdade, nascemos sem nada saber; a sociedade, os pais, o resto da humanidade são, de certa forma, professores.
Mas não é só isso. Para o empirismo, nossos conhecimentos começam com a experiência de nossos sentidos, das nossas sensações. Conjuntos destas sensações formam percepções, estas que também se transformam em algo que venha funcionar como um sensor de experiências.
O empirismo também tem seus limites: na medida que os conteúdos do conhecimento procedem a experiência, o conheimento fica preso no mundo empírico – o que pode acarretar em algumas conseqüências não muito boas. Rejeitando o diploma de fonte de conhecimento que a razão apresenta, o empirismo não pode aspirar ao conhecimento universal e necessário, logo não oferece nenhuma forma de segurança ou certeza, pois o conhecimento está sujeito à mobilidade das impressões sensoriais desencadeadas pelos objetos. O empirismo é um conhecimento claramente relativo.
Considerando tudo o que foi dito até aqui, uma conseqüência pode ser apontada: assim como os racionalistas tendem para o dogmatismo, os empiritas tendem para o ceticismo, ou seja, uma negação à cerca da possiblidade de saber o que é a verdade, isso porque o conhecimento fica preso nas teias da experiência.
John Locke é o nome mais ressaltado do quadro dos principais empiristas, mesmo estando entre Hume, Bacon, Hobbes e outros.
A idéia da página em branco (também denominada Tábua Rasa) é encontrada nas idéia do Locke. Locke, assim como a idéia do empirismo, nega qualquer conhecimento inato, isto é, idéias que a razão descobre em si mesma independentemente de qualquer experiência.

John Locke

John Locke

Os empiristas tentam mostrar que a razão não é criativa, ou seja, ela não pode criar conhecimentos a partir de si mesma, mas, só pode usar materiais extraídos da experiência. Para John Locke, a única função que a razão pode colocar em seu currículo profissional é “organizadora de dados empíricos”. Logo, chegamos na concepção que a idéia central de Locke é “Nada pode existir na mente que não tenha passado antes pelos sentidos”.
O empirismo, por não ter necessidade lógica, apenas nos dá garantias psicológicas. Além de Locke, muitos outros empiristas de renome, com suas teorias, deixam claro esta idéia.
Davi Hume, outro nome de grande importância no quadro dos empiristas, nega a existência de idéias complexas, chutando de primeira a canela da casualidade.
Entre um chute e outro, Hume tenta explicar como se dá a conexão entre um conhecimento e outro.
A indagação de Hume: Como é que estabelecemos uma relação causa / efeito? Eis a questão.
Segundo os empiristas, aquilo que conhecemos como causa e efeito são coisas completamente diferentes; nenhum deles necessita do outro – o ditado “uma mão lava a outra” não funciona neste conceito.
Uma tentativa de explicação: quando vemos uma bola que corre em direção à outra supomos que o movimento da 2ª bola como resultado do seu encontro. A experiência diz-nos que o choque da 1ª bola pôs em movimento a 2ª, mas… a experiência não nos ensina mais nada e nada diz acerca do futuro. Logo, a idéia de causalidade é uma mera associação de idéias.
Normalmente, quando achamos semelhanças entre algo, esperamos efeitos semelhantes, mas o vínculo entre causa e efeito não poderá ser observado, pois o curso da natureza pode mudar.
Logo, à cerca de Hume, chegamos à concepção que, devido os limites, principalmente dos raciocínios indutivos, não é possível fazer ciência.

É interessante ressaltar que, a briga Empirismo versus Inatismo, foi a responsável pelo segundo impasse filosófico, impasse esse que ainda não apresentou o vencedor.
Conhecimentos inatos ou experiência adquiridas ao decorrer da vida, como se dá o conhecimento humano?

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Referências:

[SANTOS, Ana Rita. Empirismo. Filosofia – 11° ano. Escola Secundária da Seia, 2007. Disponível em: http://www.notapositiva.com/trab_estudantes/trab_estudantes/filosofia/filosofia_trabalhos/empirismo.htm. Acesso em: 16 de agosto de 2009]

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Por Henrique Guedes

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