7setembro[1]

Teremos uma parada na próxima segunda, 7 de Setembro, por conta do feriado, uma data histórica.
Aprendemos nas escolas, com os livros de história, que esta data marca a independência do Brasil, resultando no término do domínio português, e assim nossa autonomia econômica e política. Sim, é verdade, mas alguns pontos interessantes são omitidos.
O pesquisador Saint-Hilaire descreveu, quando percorreu o Brasil em 1816 e 1822, que o restabelecimento do sistema colonial causaria danos e seria um rochedo no caminho do desenvolvimento dos proprietários rurais. A igreja, por sua vez, oferecia a oportunidade de ascensão social rápida, mas também colocava restrições raciais. Pensando nisso, o risco de uma luta pela independência poderia nivelar as raças, bem como miseráveis e ricos. Um curto e bom exemplo pode ser observado no trecho de um documento da Ordem dos Carmelitas: “se provar que tem casa de mouro, mulato, judeu ou outra infecta nação”.

Agora vamos dar alguns pulinhos na história, chegando na época que a corte precisou retornar a Lisboa. A coisa começa a ficar bem interessante aqui – na manhã de algum dia de fevereiro de 1821, todos os súditos com cargo ou título de nobreza foram obrigados a assinar sua lealdade a Portugal. Acontece que quem deveria ir para lá era Dom Pedro, mas de última hora Dom João achou melhor deixar um herdeiro na velha colônia. Neste mesmo dia, Dom João embarcou levando consigo parte da riqueza produzida pelo país. Muitos brasileiros tentaram impedir o embarque dos bens (dos bens, D. João não era importante). Uma canção foi criada pelos cariocas, esta cantada em uma quadrilha feita por eles: “Olho vivo / pé ligeiro / vamos a bordo / buscar o dinheiro”.

Quando chegou em Portugal, o rei mandou uma informação para o Brasil: o país seria tachado em 30%, e estava também proibido de negociar com qualquer outra nação que não fosse Portugal. O rei queria também a volta de D. Pedro. É aí que os livros de história ficarão envergonhados.
Segundo eles, o monarca tupiniquim reagiu imediatamente, se recusando a voltar para Portugal, e segundo vários estudos isso não é verdade. Dom Pedro se aconselhou e mediu os prós e contras durante cerca de 11 dias. Depois disso, diante de toda uma comissão, ele proferiu as famosas palavras: “Convencido de que a minha presença no Brasil interessa ao bem de toda a nação portuguesa (…). Como é para o bem de todos e felicidade geral da Nação, estou pronto: diga ao povo que fico”. Depois disso, o título de Defensor Perpétuo do Brasil vai para: Dom Pedro!

Mais alguns pulinhos chegamos ao 7 de setembro. Quando voltava de Santos, parado às margens do riacho Ipiranga, Dom Pedro recebeu uma carta com ordens do papai para que voltasse para Portugal. O monarca tupiniquim recebeu outras cartas, entre elas de José Bonifácio e da sua esposa Maria Leopoldina de Áustria, fazendo algumas advertências. Depois de ler as cartas, ele tomou a decisão histórica na tarde de 7 de setembro: “Independência ou morte”, separando o Brasil de Portugal.

Lembro que alguns meses atrás entrei em um debate amigável com um tio meu à cerca da frase “Independência ou morte”. Baseados na história ensinada nas escolas e nos livros de história começamos a perceber alguns furos na narrativa, começamos a perceber que a briga poderia ser uma mentirinha histórica. Baseado nisso, comecei a pesquisar um pouco mais, e em trabalhos de renomados historiadores como Raymundo Faoro e Caio Prado Júnior, a minha concepção contra a guerra ficou um pouco mais forte. Não houve derramamento de sangue em nossa independência.
O Brasil pagou a Portugal cerca de dois milhões de libras esterlinas para que este reconhecesse sua independência. Sem o dinheiro para o pagamento, Dom Pedro recorreu a um empréstimo da Inglaterra (primeira dívida externa). Em solo tupiniquim, o povo mais pobre não acompanhou muito menos entendeu o significado da independência. A estrutura agrária continuou a mesma, a escravidão se manteve e a distribuição de renda continuou (continua, né?!) desigual. A única novidade foi a dívida externa, a maior do planeta, e a total dependência dos ingleses.

Agora me pergunto o que levou a omissão da verdadeira história até hoje, interesses financeiros ou algo bonito e heróico na história do país? Fica a dúvida.

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Referências Bibliográficas:

[MARQUES, Manuel. Por trás da história. Folha Universitária: jornal da UNIBAN. São Paulo, ano 13, edição número 408, página 03, 31 de agosto de 2009]

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Por Henrique Guedes

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