Ao falarmos do capitalismo, estamos falando de um meio econômico totalmente privado, que na prática é algo sustentável, mas na teoria é uma ameaça a qualquer humano. Com o surgimento da moeda como meio de troca, a sociedade sofreu conseqüências grotescas, porém esperadas. O capitalismo é um sistema mais antigo do que conhecemos, principalmente no meio teológico, mas durante os anos ele de tornou destrutivo e altamente prejudicial à saúde.

A forma básica do capitalismo na vida humana é o trabalho. Mas antes de falarmos sobre o papel do trabalho humano no desenvolvimento do capitalismo, voltemos alguns bons anos no nosso complexo relógio evolutivo. O trabalho sempre foi a forma o meio de sobrevivência básico para da espécie Homo. Na pré-história o trabalho em forma de caça era o mais praticável, e posteriormente, ainda na pré-história, no período neolítico, a segunda boa opção de sobrevivência era a agricultura. Em ambas as formas de trabalho percebe-se que o motivo base para o trabalho era a alimentação. Alimentar-se representa continuar vivendo, logo o trabalho era fundamental. Em segundo plano, o papel do trabalho tinha um caráter classificatório sexualmente falando. O homem em seu desenvolvimento aprendeu a caçar, e por conseqüência, aprimorou sua visão e sua força física para visualizar e capturar o animal alvo. A mulher, por sua vez, ficou responsável pelo preparo primitivo do animal capturado assim como a proteção dos filhos do casal. Sendo assim, era de suma importância a mulher escolher um parceiro capaz de suprir as necessidades da época: proteção, alimentação e “bons” filhos. A mulher buscava seu parceiro por interesse, e não por amor (o amor primitivo é assunto para outro texto).

Agora podemos voltar para o capitalismo. É possível perceber a semelhança do homem capitalista com o homem pré-histórico: sobrevivência. Acontece que no mundo capitalista a sobrevivência é muito mais complexa que a sobrevivência em fronte um animal selvagem que visa sua proteção contra o trabalhador com uma machadinha na mão.

Em pleno século XXI, ainda falamos na sobrevivência por meio do trabalho. Você trabalha um mês inteiro para em seu término receber certa quantia em dinheiro. Você não pode faltar, descansar, parar ou variar. Você é totalmente condicionado a trabalhar quieto e cansado. Ao receber tal quantia em dinheiro você deve trocá-la por alimento, mas a quantia não dá para efetuar uma troca justa. E isso é só o começo. Além desse sistema de sobrevivência precário e horrível, ainda vivemos em um sistema governamental que diz que você deve pagar para trabalhar, além de pagar para comer.

A relação trabalho/capitalismo é ridícula: você trabalha para manter sua vida, enquanto o proprietário do sistema privado não precisa fazê-lo. Não é uma questão de hierarquia, e sim de continuar vivendo. O homem pré-histórico trabalhava para comer, e não para viver de maneira geral. Com a comida ele tinha proteção contra o frio, material para produção de ferramentas e calçados. Contra a fúria da natureza, eles tinham a própria natureza, como as cavernas. Atualmente trabalhamos para obter cada item de forma individual, e com muita delonga. Você precisa ter a moeda de troca para exatamente tudo, e mesmo depois de pagar sua caverna moderna, você ainda deve continuar pagando para continuar com ela. Existe lógica nisso?

Continuando, é também possível fazer uma analogia da mulher pré-histórica com a mulher pós-moderna. Se antigamente o interesse da mulher era à cerca da caça e da proteção, não é difícil notar que o atual interesse da mulher é o dinheiro, mas que fique claro que com essa afirmação não estou participando da clássica classificação que a mulher recebe em nossa sociedade. Falo de uma questão puramente evolutiva. Se a sobrevivência, a alimentação e a moradia, assim como a boa proteção dos filhos deve-se ao dinheiro, nada mais natural que um parceiro que consiga suprir estas necessidades seja escolhido. As necessidades são as mesmas, o que mudou foi a forma de supri-las.

Somos homens da pós-história, se assim posso dizer. A música “Homem Primata”, dos Titãs, é rica nessa abordagem:

“Desde os primórdios
Até hoje em dia
O homem ainda faz
O que o macaco fazia (…)

Homem Primata
Capitalismo Selvagem
Oh! Oh! Oh! (…)”

Continuamos com nossos instintos primórdios, com nossas necessidades antigas, o que mudou foi a selvageria do nosso meio de sobrevivência.

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Por Henrique Guedes