Domingo é um dia chato por natureza. Digo, é típico do domingo ser chato. Mas dá para piorar. Gol! É isso que ouço no prédio. Estamos falando de um estímulo delta. O “gol” nos diz que o domingo será lastimável. O “gol” rapidamente se transforma em fogos de artifício, pagode e xingamentos. Que infortúnio. Estou na minha casa, no meu sofá, e não posso tirar um cochilo porque moro em um prédio cheio de pessoas que gostam de futebol.
Queria saber o que o futebol oferece em troca de tanta animação. Cá estou, tirando as teias do blog, colocando tudo no lugar, enquanto os vizinhos gritam “é campeão!”. Pelas barbas do Raul Seixas. Quero voltar para a minha mãe. Não há motivo para tanta animação. Amanhã é segunda, dia de voltar para a fudelância trabalhista, enfrentar o caótico sistema de transporte público, sem falar nos congestionamentos. O time ganhou, e não estou mais rico com isso. Já o vizinho…bem, ele deve ter gasto o décimo terceiro com fogos. Ele perdeu, além do bom senso, alguns trocados.
Imagino como será a copa do mundo. Macacos me mordam! Que desespero. Será pior que ouvir “ai se eu te pego” em todos os lugares. Gostar de futebol coloca em xeque a racionalidade de qualquer um. Não há nada de plausível em uma partida de futebol. Digo, há um pouco de física aplicada, mas quem liga? Acho, honestamente, que eu deveria ter o direito de viver sem futebol. Separar o bom senso do futebol, usando um pedágio, que tal? O problema é que, no Brasil, esporte significa futebol.
A sociedade fica alegre com algo tão chulo como o futebol. Imagine se a humanidade achar a felicidade eterna. Coitados dos gatos sem dono. E dos que têm dono também. Tá, o futebol é uma bengala social, ajuda a esquecer os problemas diários e coisa e tal. Mas não é preciso tanto. Correr atrás de algo inanimado, todo suado. O objetivo é acertar esse algo inanimado no lugar determinado. Tá, desse ângulo parece até jogo de queimada. Simples. Mas aí lembro que o mundo pára para ver esse joguinho mequetrefe, os jogadores ganham milhões para não fazer nada, e ainda fico com cefaléia aos domingos.
É isso. Texto chulo, mas precisava gritar um pouco. Com ou sem futebol, nada mudará. É difícil aceitar que tenho que conviver com o futebol. Muitas pessoas não conhecem os PL que assustam a nossa “liberdade”, assim como não sabem o que é o tal do Belo Monte. Agora, se o assunto é futebol, todos são especialistas. Isso assusta. Bem, é isso. Amanhã é segunda-feira, e terei que agüentar os comentários futebolísticos dos colegas de trabalho. Triste.
Por Henrique Guedes












Vc é um cara muito chato, tranque-se no seu mundo, vá viver em uma bolha, senão gosta de nada porque não se mata logo, ou então porque não fica rico e vá viver na Suíça, Suécia, se a pessoa ao seu lado está feliz, por “um simples jogo de futebol”, ao invés de sentir INVEJA da felicidade alheia porque não procura algo que o faça feliz, va na biblioteca ler um livro, assistir um filme no cinema, aaahhh esqueci, vc tem que passar o domingo reclamando da felicidade dos outros, pobre coitado, sinto tanto dó de sua pessoa, enfim, logo o primeiro post e o último que li nesse blog ridiculo…
Prezado Julio Cesar,
Poderia respondê-lo de forma adequada, mas minha educação proíbe tal coisa. Apenas ressalto que não sinto a mínima inveja de uma “felicidade” momentânea baseada em uma partida de futebol. Não sou tão deprimente assim. Você não recebeu nenhum convite para ler o conteúdo do blog, sendo assim, sinta-se livre para não aparecer mais por aqui. Ou aparecer. Fica a seu critério.
A boçalidade do comentário de Julio Cesar deixa claro que ele é o tipo de indivíduo que tomaria a pílula azul sem titubear. Acha que tudo se resume a “felicidade” (?!) e ignora a oportunidade que o post lhe oferece de pensar o futebol filosoficamente. Continua na era do pão e circo.
Ótimo post.
Olá Rafael,
Plausível vosso comentário à cerca da interpretação do post.
Não gosto de futebol, sendo assim, tenho o direito de dizê-lo. Quem gosta não “sabe” fazer outra coisa (risos). Se as pessoas não fossem tão fechadas para as críticas, elas seriam menos dogmáticas. Acho que quem gosta de futebol, deveria parar alguns minutos para pensar no motivo. O mesmo pode ser aplicado em outros mundos, como música, religião, tribo; Qual o motivo para apoiar tal coisa? Será que estou fazendo papel de idiota ao propogar tal gosto? Pensamento não é venenoso.
Até mais,
Henrique Guedes
Como dizia Pascal, “pouco nos aflige, porque pouco basta para nos contentar…”, não necessariamente com essas palavras, claro…
O problema é que não existe melhor narcótico social do que o pão e o circo. As pessoas tem pavor de se verem sozinhas com seus próprios pensamentos, e ficam procurando esse tipo de estimulo… futebol, telenovelas, big brother, fofocas de famosos, enfim… tudo o que possa ocupar o tempo e evitar que o indivíduo fique sozinho consigo mesmo e analise sua própria farsa pessoal…
Sempre foi assim… a sorte é que agora, quem se digna a não correr junto com a boiada, pelo menos não está sendo queimado literalmente, apesar de continuarmos sendo no sentido figurado.
Pra finalizar, cito Pascal novamente “a grande causa das desgraças humanas reside no fato o homem não conseguir ficar quieto no seu próprio quarto…”, mais uma vez, não necessariamente com essas palavras, claro…
Um forte abraço, Henrique Guedes… continue a expressar suas opiniões e não ligue se sair um pouco chamuscado por isso… no sentido figurado, claro…
Olá Malko,
Concordo com seu ponto de vista. Aliás, sair chamuscado daqui é conseqüência de não ter medo de enfrentar o meu próprio cérebro. Sair chamuscado é por vezes difícil, mas necessário.
Abraço,
Henrique Guedes
Acho que esse post é um desabafo coletivo!
não sou contra ninguem acompanhar um esporte ou coisa do tipo, mas sou a favor da liberdade, e por isso, TOTALMENTE contra a pressão social para submeter as pessoas a um gosto comum. Isso é o que acontece, se você se reserva ao direito de não escolher um time no futebol, você é taxado de estranho, chato, ou em alguns casos, até sua sexualidade entra na discussão. PORQUE eu tenho que me restringir a ter um TIME, venerar um time, e bendizê-lo perante outros para manter a minha compostura como um ser atuante da sociedade onde vivo? infelizmente, tal pratica é passada de geração em geração, e encarnou na cultura popular. Mas até que ponto permitimos que o habito terreno tome conta da nossa vida?
grande abraço Henrique! hahaaa
Richard Alves
Olá Richard,
Desabafo coletivo? Bom. Não mudo nenhuma palavra escrita por você. Totalmente de acordo. O problema é que não existe saída; ninguém deixará nossa escolha livre, pois somos minoria (risos).
Abraço.