Macaco

A tecnologia melhorou nossa vida e alterou nosso mundo. Por outro lado, ela fez com que passássemos a ser escravos de nós mesmos, abrindo mão de nossa liberdade.

O que é ser humano?

No decorrer da história, a filosofia se caracteriza por um constante perguntar. E essa, é umas das indagações.
Uma maneira, uma tentativa de respondê-la, não uma resposta e sim uma maneira de banalizar a pergunta sobre o ser humano, foi compará-lo àquilo que ele não é, mas que lhe é, de certa forma próximo: os animais.

Aristóteles dizia que o homem era o único animal racional, e considerava a racionalidade como a característica que distinguia o homem do animal.
Rousseau defendia, utilizando da analogia com os animais, que o que distingue o animal do ser humano é a capacidade que o homem possui de aperfeiçoar-se, o que ele denominou “perfectibilidade”.

Para ser um pouco mais claro, é como dizer que é como se os animais viessem com um software instalado de fábrica, o qual limita e os condiciona durante a existência. Já os humanos, completamente diferente dos animais, são seres que se aperfeiçoam, desenvolvem cultura, sociedade, faz história. Um ser ilimitado.

O homem é um ser que supera determinações naturais. O homem é capaz de criar novas experiências; não nascemos com asas, mas voamos. Diante disso, Rousseau defende a liberdade do homem, único animal a possuir liberdade. Assim, também não podemos julgar ações animais contra os humanos, por exemplo, um tubarão que se alimentou de um banhista, pois é uma característica natural.

Ao chegar aqui, você dever estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com tecnologia, não é mesmo?

Tem muito a ver. Podemos chamar tecnologia a capacidade humana de transcendência de suas limitações naturais, levadas para facilitar o viver. Só os seres humanos desenvolvem tecnologia.

Para apontar mais uma diferença do ser humano dos demais animais, temos a linguagem, pois a linguagem humana é bastante distinta dos demais animais.
A diferença entre a linguagem humana e a animal caracteriza-se, não pela fala, mas por algo chamado composicionalidade, por alguns.

Observando os primatas, nossos achegados genéticos, percebe-se que eles possuem habilidades avançadas de comunicação dentre a vasta fauna terrestre, estas, semelhantes ao humano. Contudo, essas habilidades resumem-se a alguns poucos gestos,sons e afeições que comunicam-se basicamente a situações de medo, fome entre outras. Já nós, humanos, possuímos uma ampla combinação de palavras e frases.

Quando se fala em tecnologia, geralmente vem à mente a idéia de artigos eletrônicos, máquinas superpoderosas, computadores, celulares e outros artefatos (certamente isso passou pela a cabeça da maioria que acompanha, neste momento, este pensamento).
Tecnológica também são descobertas, invenções, que não parecem ser tão sofisticadas; como a criação do fogo, por exemplo.
Se nos primórdios não havia possibilidade de fugirmos à determinação dos papéis que tínhamos de representar, porque não tínhamos meios de aperfeiçoar nossa existência, de modo que aqueles que não eram bons caçadores e defensores de sua existência não sobreviviam, onde os mais fortes prevalecem, atualmente vivenciamos um dilema análogo: quem não produz consome. O que chamamos hoje de capitalismo!

Depois de tanta evolução que nos tirou das selvas de árvores e nos colocou nas selvas de concreto, devemos pensar: Seria essa a melhor utilização para a nossa distinta liberdade?
Precisamos mesmo abrir mão daquilo que tanto nos diferencia?

Cabe perguntar: é a tecnologia a responsável pela mudança de nossa visão de mundo, ou é nossa visão de mundo que conduz as mudanças tecnológicas?

Se não temos o poder de mudar o rumo de nossas vidas, de modificar nossa própria visão do mundo, e com isso modificar o próprio mundo, tornamo-nos reféns daquilo mesmo que considerávamos tão especial: nossa liberdade.

“Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade” ALBERT EINSTEIN

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Referências:

(PINHEIRO, Lilia. Homem: O ser tecnológico. Filosofia: Ciência e Vida, São Paulo, ano III, n° 27, p. 26 – 26, 2008)

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Por Henrique Guedes

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