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Desde os primórdios, o homem sonha na arte de voar. Leonardo da Vinci já tinha projetos a este respeito.
Para isso, inúmeras máquinas foram inventadas com este objetivo. Muitas vidas perdidas!

Nesta multidão de sonhadores, um grupo se destacava, este não menos sonhador, mas mais louco ao ponto de vista da sociedade. Este grupo sonhava em praticar vôo sem o auxílio de motores, nada de máquinas: eles tentavam praticar o vôo confiando apenas na qualidade de suas asas e a ajuda da natureza.

História

Por volta de 1940 começaram estudos sérios da NASA para colocar em prática o projeto da Asa-Delta. É claro que o projeto era bem mais antigo, mas não funcionava corretamente. Pelos esforços de um homem, Dr. Francis Rogallo, em plena Guerra Mundial, surgiram as primeiras Asas-Delta que executavam satisfatoriamente o vôo planado. Hoje em dia são consideradas perigosas e de muito baixa performance, mas as coisas têm de começar, de algum modo. Era 1948 quando ele registrou a patente da Asa flexível (dobrável). A possibilidade do vôo sem motor era uma realidade. Do trabalho do Dr. Rogallo veio uma montanha inteira de pesquisa e testes, para construção e desenvolvimento da tecnologia da asa flexível. Também nesta época foram desenvolvidos e melhorados os pára-quedas de recuperação dirigíveis, os quais foram usados no programa espacial dos EUA, na recuperação das naves Gemini.
No Reino Unido, Walter Neumark estava voando novos tipos de pára-quedas, projetados por Lemoigne e Pioneer, que eram capazes de desempenho superior e melhor controle que os tipos existentes. Neumark, um piloto de planador, encarou os novos pára-quedas para um novo tipo de vôo planado. Pouco depois, ele escreveu um manual, “Procedimentos Operacionais para Ascender pára-quedas”, e treinando começaram no que seria conhecido como parascending, ou seja, pára-quedas que também podiam. Foi somente nos anos 80 que o nome do esporte mudou para Paragliding. Foi também nos anos 80 que os pilotos começaram a decolar de colinas e montanhas, deixando de lado a decolagem rebocada.
Com o desenvolvimento da arte aumentado, tão igual se fez o gasto e o tempo exigido para se aprender a voar. Apesar da atração de ser capaz de planar como um pássaro o esporte sempre foi para aqueles poucos que tiveram a determinação considerável para levar dezenas de kgs de peso para cima da montanha e a coragem para tentar o que pode aparecer assustador para uns ou atividade perigosa para outros (embora, claro que, com equipamento atual e técnicas de treinamento, o vôo livre está em realidade menos perigoso que muitas pessoas imaginam).

No início dos anos 80 é que tivemos o real nascimento do Paraglider de montanha, como nós conhecemos. Os equipamentos eram inicialmente velames de salto projetados para resistir às tensões de abertura em queda livre. Ficou óbvio muito cedo que estas tensões não estavam presentes com a inflagem menos abrupta de uma decolagem, e muito logo os fabricantes projetaram velas feitas de material não-poroso. Tais tecidos fariam um paraglider moderno provavelmente explodir se fosse aberto em queda livre em velocidade terminal, mas ofereceu uma vantagem de desempenho principal. Resultou num uma taxa muito lenta de descida e desempenho de vôo livre melhor, entradas de células estreitas e asas esbeltas longas, mais consangüíneas à forma de uma Asa-Delta.
O Paraglider (também conhecido com Parapente) continuou sua evolução e chegou à forma que tem hoje, mais elíptico e sem necessidade de estabilizadores. Está continuamente em evolução e é bem provável que os equipamentos que utilizamos hoje sejam peças de museu, daqui a 10 anos. Mesmo assim o Paraglider hoje pouco deve às tradicionais Asas-Delta, ou às Asas Rígidas, ou a outras aeronaves. É bem nítida a diferença de performance entre uma Asa-Delta e um Paraglider, mas o que esperar de um equipamento que tem 40 anos a mais de estudos a respeito? Uma Asa-Delta voa mais longe, mais rápida, um Paraglider voa mais devagar, por mais tempo. Por que esta diferença? Simples aerodinâmica. Existem forças atuantes no vôo e as principais são a Sustentação (Lift) e a Resistência do Ar ou Arrasto (Drag). A primeira ajuda, a segunda atrapalha (talvez). O que se deseja no vôo é uma perfeita adequação entre as duas (Lift/Drag ou L/D). A Asa-Delta, que existe há mais tempo, tem um L/D mais apurado, com boa sustentação e pouca resistência. O Paraglider é coisa nova e já consegue melhor sustentação, mas com muito mais resistência. Basta dizer que um Paraglider tem o dobro de área vélica de uma Asa-Delta. Isso é ruim? – Depende do ponto de vista. Vejamos pelo lado da segurança:
Asa-Delta: Pouca área, muita massa, grande velocidade.
Paraglider: Muita área, pouca massa (é cheio de ar), baixa velocidade.
No geral: quanto mais velocidade, mais acidentes
Conclusão: o Paraglider é mais seguro!
Apesar de todas as facilidades e comodidades o Paraglider necessita ser pilotado, permanentemente, de modo a compensar sua tendência à instabilidade em certas ocasiões. É necessário conhecer certas regras, de modo que as coisas não terminem no caos. É extremamente importante que o piloto se sinta no comando de sua aeronave. O piloto deve ter instinto e bons reflexos. Não podemos ignorar que, para o ser humano, voar não é um instinto, pois não descendemos das aves, é tecnologia. Pilotar com instinto quer dizer ter bons reflexos e um reflexo é resultado de intensos treinos e estudos a respeito. Existem os que apenas treinam, e os que treinam mais e mentalizam suas ações. Há os que assimilam depressa e também os mais lentos. Cada um tem uma capacidade de acordo com a medida dos seus desejos e o importante é ter uma técnica de acordo com a nossa ambição.
Existem, é claro, situações perigosas no Vôo Livre. Dizem os pilotos experientes que toda situação de perigo se deve a algum erro do próprio piloto. A diferença essencial está entre os que voam e os que pilotam. Os primeiros não pedem muito, são motoristas de fim-de-semana, contentando-se em estar no ar de vez em quando. Muitos destes querem mostrar algo diferente para a namorada, esposa, filhos, câmeras de vídeo e flashes. Coitados, sua própria natureza se encarrega de lhes pregar um susto. Desde que conheçam a margem em que possam evoluir sem perigo, nada a objetar. Quando alguém não sabe muito a respeito de aproximação, escolhe os grandes campos para seus pousos. Quando não se sabe o que fazer na saída de uma térmica, evita-se o vôo próximo do meio-dia. Os que sabem que pilotar é pilotar com precisão, conhecem seu equipamento e suas qualidades tão bem quanto seus defeitos e em cada situação sabem tirar o melhor proveito.

Como já foi relatado, o Parapente é mais seguro do que muitas pessoas pensam. O segredo está no entendimento ,concentração, e é claro, no respeito pelos fenômenos da natureza.

A experiência de voar é única, cada vez que você tira os pés do chão, é uma nova emoção, é como se fosse a primeira vez.

Experimente!

“Não nascemos com asas, mas nascemos para voar.”

 

Por Henrique Guedes

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