O Grito, de Edvard Munch

O Grito, de Edvard Munch

Segundo alguns médicos, não existe ninguém completamente são. Quem não é louco, é doido ou maluco.
Da mesma forma, conhecendo a humanidade, é no mínimo interessante dizer que, não há um só que esteja isento de reações humanas, como o desespero, inquietação ou coisas do gênero. Os médicos dizem de uma doença, o homem aparece em um estado de enfermidade, no qual em um piscar de olhos surge um medo inexplicável, um medo de existência. Ninguém jamais viveu, vive, e provavelmente não viverá sem desespero, ainda mais o humano cristão, que acredita precisar de um medo superior ao natural.
É difícil ver o desespero como uma enfermidade. É algo completamente humano, comum. Se analisada, veremos que a humanidade é desesperada, engloba milhares de homens.
No momento em que alguém entra em desespero, observa-se que todo o passado houve desespero. Diferente de uma doença clínica, não podemos dizer que, uma febre, por exemplo, sempre esteve presente. O desespero humano é uma enfermidade fora dos padrões clínicos. Digamos que o desespero faz parte do corpo, cada qual tem o seu. Para alguns, entra na categoria espiritual, como se o desespero fosse parte do espírito. Não é fácil pensar assim. O desespero é uma dialética.
Como o próprio desespero, seus sintomas também são dialéticos. Devemos tomar cuidado ao considerar alguém desesperado – Ou até mesmo declarar que se é. Estar calmo pode significar que o somos. É dialética. Pensarmos que estamos desesperados não quer dizer que o sejamos, mas não estarmos desesperados, pode ser o início do mesmo. Neste sentido, até o mal- estar é dialético. O desespero humano não é uma exceção.
Psicólogos estudam isso – É constatado que a maior parte das pessoas vive sem consciência do caminho do desespero humano, eis que surge a falsa satisfação em viver, ou até mesmo despreocupação, e por aí vai. Muitos se dizem desesperados – uns é porque tiveram ou têm, em si, consciência de suas existências, outros porque tiveram acesso a violentas decisões em relação à vida, assim acreditam tê-la. Na verdade, não existe um “não-desesperado”, isso é humano, digamos que é uma regra de existência.
Aprofundando, existe um termo muito utilizado na sociedade: Alienação, ou até mesmo o chamado otimismo. Uma vida é desperdiçada quando as alegrias, tristezas, dores ou sentimentos iludem, ao ponto de acreditarem na existência de um Deus, existindo para o cujo dito. Quantas existências desperdiçadas!
Esse é outro ponto do desespero, é uma bengala psicológica. Tantas mentes, tantas existências frustradas com um pensamento de que é a maravilha das maravilhas. Entretêm-se com tudo, exceto com aquilo que realmente importa.
A ampulheta terrestre é esvaziada, e o homem nem se dá conta, desperdiçando a vida.

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Referências:

KIERKEGAARD, Sören. O desespero humano. 128 p.

( Coleção A Obra Prima de Cada Autor)

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Por Henrique Guedes

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