316px-psycheabduct11Em sua grande obra intitulada Teogonia, Hesíodo explica que do Caos, vazio primordial nasceram Gaia , Tártaro e Eros. Eros, aparece então como o Amor, a força fundamental de atração, assegurando a continuidade das espécies. Com o passar do tempo, Eros perdeu essa dimensão cósmica e, com a evolução do mito, foi transformado numa criança alada com genealogias diversas e que os romanos denominaram Cupido. Assim, para Platão, Eros havia sido gerado pela união de Poros, o Recurso, e de Pênia, a Pobreza, durante uma festa na qual se celebrava o nascimento de Afrodite.

 

Outras genealogias o dão como filho de Hermes e Ártemis , Hermes e Afrodite, Afrodite e Zeus ou ainda de Afrodite e Ares , tendo nesse caso recebido o nome de Ânteros, o amor contrário ou recíproco. Não obstante, a diversidade de filiações que lhe são atribuídas, no célebre mito de Eros e Psiquê , o deus do amor aparece como filho de Afrodite. Sucedeu que a deusa da beleza, irritou-se porque os homens começaram a adorar uma simples mortal em detrimento de seu culto. A jovem, de extraordinária beleza se chamava Psiquê, a quem por vingança e despeito, Afrodite enviou seu filho Eros com a incumbência de ferí-la com suas flechas e fazê-la se apaixonar pelo mais feio dos homens.

Eros, no entanto, ao se deparar com a jovem, foi tomado de violenta paixão e ferido  de amor por sua própria flecha, deixou de cumprir a tarefa solicitada por Afrodite. Apaixonado por uma simples mortal, rival de sua mãe, Eros precisou enfrentar momentos difíceis até conseguir unir-se definitivamente à sua amada quando Zeus, aprovando a união e oferecendo à Psiquê ambrosia, tornou-a também uma imortal.

 

__________________________________________________________

 Como qualquer outro mito, existem várias histórias para Eros. Platão em O Banquete  (um livro/dialogo de Platão), retrata o Mito de Eros da seguinte forma:

O Banquete

Estavam presentes a esse banquete, entre outras pessoas, Aristodemo, amigo e discípulo de Sócrates; Fedro, o jovem retórico; Pausânias; o médico Eriximaco; Aristófanes, o comediante que ridicularizava Sócrates e o político Alcibíades. Estava também presente o velho Sócrates.

Devido ao exagero cometido na festa do dia anterior, sobretudo o excesso de bebida, fatigara os convidados de Agaton. Pausânias propôs então que em lugar de beberem, ficassem ali a conversar, a discutir ou que cada um fizesse algo “diferente”.

Essa proposta de Pausânias foi aceita por todos. Ao que Eriximaco acrescentou que se fizesse elogios a Eros, no qual os convidados deveriam fazer um discurso para louvar o amor, porém Sócrates, um dos presentes, resolve que antes de falar sobre o bem que o amor causa e seus frutos deveriam definir antes o que é o amor. Há uma passgem sobre o significado do amor. Sócrates é o mais importante dentre os homens presentes. Ele diz que na juventude foi iniciado na filosofia do amor por Diotima de Mantinea, que era uma sacerdotisa. Diotima lhe ensinou a genealogia do amor.

O primeiro a discursar sobre o assunto é Fedro, seguido por Pausânias, que afirma que há mais de um Eros, divindo-o entre bem e mal, real e divino. Após segue Eriximaco, segundo ele o amor não exerce influência apenas nas almas, mas dá, ainda, harmonia ao corpo.

O próximo a discursar foi Aristófanes que começa seu discurso advertindo que sua forma de discursar será diferente. Faz de imediato uma denúncia à insensibilidade dos homens para com o poder miraculoso de Eros, e sua conseqüente impiedade para com um deus tão amigo. Para conhecer esse poder, ele diz que é preciso antes conhecer a história da natureza humana e, dito isto, passa a narrar o mito da nossa unidade primitiva e posterior mutilação. Segundo Aristófanes, havia inicialmente três gêneros de seres humanos; os quais eram duplos em si mesmos: havia o gênero masculino masculino masculino, o feminino feminino feminino e o masculino feminino masculino, o qual era chamado de andrógeno. Nas palavras do poeta:

É então de há tanto tempo que o amor de um pelo outro está implantado nos homens, restaurador da nossa antiga natureza, em sua tentativa de fazer um só de dois e de curar a natureza humana. Cada um de nós portanto uma téssera complementar de um homem, porque cortado com os linguados, de um só em dois; e procura cada um o seu próprio complemento. (O Banquete)

Assim, aqueles que foram um corte do andrógeno, tanto o homem quanto a mulher, procuram o seu contrário. Isto explica o amor heterossexual. E aquelas que foram o corte da mulher, o mesmo ocorrendo com aqueles que são o corte do masculino, procurarão se unir ao seu igual. Aqui Platão apresenta uma explicação para o amor homossexual e trans-sexual feminino e masculino, tratando como algo natural ou normal. Quando estas metades se encontram, sentem as mais extraordinárias sensações, intimidade e amor, a ponto de não quererem mais se separar, e sentem-se a vontade de se “fundirem” novamente num só. Esse é o nosso desejo ao encontramos a nossa cara metade.

O amor para Aristófanes e Platão é portanto o desejo e a procura do todo perdido por causa da nossa injustiça contra os deuses. O último a elogiar o amor foi Agaton, o anfitrião do banquete. Ao contrário dos que o precederam, Agaton não se propõe enaltecer os benefícios que o Eros faz ao homem, mas sim cantar o próprio deus e a sua essência, passando em seguida a descrever-lhe o “dote”. Após toda essa longa lista de adjetivação atribuídas a Eros, nota-se o quanto o poeta se distancia de sua proposta inicial e de seu preceito metodológico.

Finalmente chega a hora de Sócrates discursar, e fala que sendo o Amor, amor de algo esse algo é por ele certamente desejado. Mas este objeto do amor só pode ser desejado quando lhe falta e não quando possui, pois ninguém deseja aquilo de que não precisa mais.

O que deseja, deseja aquilo de que é carente, sem o que não deseja, se não for carente(O Banquete )

Aqui, na fala de Sócrates Platão coloca seu apontamento crucial sobre o conceito de amor, onde, o que se ama é somente “aquilo” que não se tem. E se alguém ama a si mesmo, ama o que não é. O “objeto” do amor sempre está ausente, mas sempre é solicitado. A verdade é algo que está sempre mais além, sempre que pensamos tê-la atingido, ela se nos escapa entre os dedos. Essa inquietação na origem de uma procura, visando uma paixão ou um saber, faz do amor um filósofo. Sendo o Amor, amor daquilo que falta, forçosamente não é belo nem bom, visto que necessariamente o Amor é amor do belo e do bom. Não temos como desejar aquilo que temos. E no mesmo diálogo, Platão ainda fala a sobre a origem de Eros (através do mito narrado por Diotima de Mantineia a Sócrates) segundo o qual Eros teria a natureza da falta justamente por ser filho de Recurso e Pobreza.

Platão deixa entrever também no Banquete, que é em termos relacionais que Eros deve ser pensado, não em termos absolutos. Não se deve compreender o amor como absoluto, mas como relativo, pois é amor de alguma coisa. O amor estabelece relação entre quem ama e aquele que é amado, assim como a opinião certa medeia à sabedoria e a ignorância.

No texto, Platão retira de Eros (Amor) a condição de deus, e transforma-o em um selo, um intermediário entre os Deuses e os mortais. O amor como ligação. Segundo relatos do texto de Platão e de alguns de seus companheiros, o amor é o um um dos maiores bens do homem (junto com o inteligência e a sabedoria), não é nem bom nem mal em si mesmo, como pratica. Ainda existe uma explicação e ‘naturalização’ do amor bissexual e do amor homossexual. Platão relaciona o amor com a verdade, pois quando se ama não é somente exercer o poder sobre alguém ou demonstrar força, mas trata-se de saber ser correspondido, ou seja, trata-se da verdade.

Para alguns intérpretes, o conceito de amor em Platão (em O Banquete) é um amor irracional e explicado pela natureza.

 .

 

Referências

(Disponível em: http://www.algosobre.com.br/mitologia/eros.html. Acesso em 5 de abril, 2009; [S. I]. Wikipédia. Disponível em: Obtido em http://pt.wikipedia.org/wiki/O_Banquete. Acesso em 4 de abril, 2009.)

 .

Por Henrique Guedes

Anúncios