Hefesto acorrentando Prometeu (1623) em tela de Dirck van Baburen

Hefesto acorrentando Prometeu (1623) em tela de Dirck van Baburen

Importante figura do Romantismo, representante da vontade humana por conhecimento, da audácia humana pela busca do conhecimento, da liberdade – Aquele que se nega venerar os deuses ou estar sob submissão de alguém. Fabuloso para Goethe, homem modelo para Karl Marx. Em homenagem, um dos 56 satélites de Saturno. Para mim, um dos maiores mitos já existentes – Fabuloso e poderoso, próximo as teorias existentes no nosso tempo. 

Na mitologia grega, um mesmo mito tinha (tem) várias caras; com o mito de Prometeu não é diferente. Segue uma das versões deste fabuloso mito:

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O céu e a terra já estavam criados, mas faltava a criatura na qual pudesse habitar o espírito divino. Então chegaram a terra, Prometeu e seu irmão Epimeteu, gigantes titãs – Eles  foram incumbidos de fazer o homem e assegurar-lhe, e aos outros animais, todas as faculdades necessárias à sua preservação. Epimeteu encarregou-se da obra e Prometeu de examiná-la, depois de pronta. Epimeteu apanhou um bocado de argila e molhou-a com um pouco de água de um rio. Com essa matéria, fez o homem semelhança dos Deuses.
Tirou das almas dos animais características boas e más. Athena, Deusa da sabedoria, admirou a criação dos filhos dos titãs e insuflou naquela imagem de argila o espírito com o sopro de vida. Foi assim que surgiram os primeiros seres humanos, mas faltava-lhes conhecimento sobre os assuntos da terra. Assim, Prometeu aproximou-se e ensinou às criaturas todos os segredos. Inventou o arado para o homem poder plantar, a cunhagem das moedas para que houvesse o comércio, e a escrita. Ensinou-lhes a arte da astronomia, enfim todas as artes necessárias ao desenvolvimento da humanidade. Logo, Epimeteu tratou de atribuir a cada animal seus dons variados, de coragem, força, rapidez, sagacidade; asas a um, garras a outro, uma carapaça protegendo um terceiro, etc. No entanto, quando chegou a vez do homem, que tinha de ser superior a todos os outros animais, Epimeteu gastara seus recursos com tanta prodigalidade, que nada mais restava. Perplexo, recorreu a seu irmão Prometeu, que, com a ajuda de Minerva subiu ao céu e acendeu sua tocha no carro do sol, trazendo o fogo, até então negado para os homens pelo Deus Zeus, entregando-o para humanidade. Com esse dom, o homem assegurou sua superioridade sobre todos os outros animais. O fogo lhe forneceu o meio de construir as armas com que subjugou os animais e as ferramentas com que cultivou a terra; aquecer sua morada, de maneira a tornar-se relativamente independente do clima, e, finalmente, criar a arte da cunhagem das moedas, que ampliou e facilitou o comércio. Irritado, Zeus castigou Prometeu – Ordenou Hefesto acorrentá-lo ao cume do Monte Cáucaso, onde todos os dias uma gigante águia ia dilacerar o seu fígado que, por ser Prometeu imortal, regenerava-se. Seu sofrimento deveria durar 30.000 anos. Prometeu sofreu por diversas eras, até que Hércules passou por ele, e ao ver seu sofrimento, abateu a grande ave com uma flecha certeira e libertou o cativo das correntes. Entretanto, para que a vontade de Zeus fosse mantida, o gigante Prometeu passou a usar um anel com uma pedra, retirada do Monte Cáucaso. Assim, Zeus sempre poderia afirmar que Prometeu se mantinha preso ao Cáucaso.

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Goethe escreveu um pequeno poema de oito estrofes sobre o mito de Prometeu, intitulado de Prometheus (1774):

“Encobre o teu Céu ó Zeus

com nebuloso véu e,

semelhante ao jovem que gosta

de recolher cardos

retira-te para os altos do carvalho ereto

Mas deixa que eu desfrute a Terra,

que é minha, tanto quanto esta cabana

que habito e que não é obra tua

e também minha lareira que,

quando arde, sua labareda me doura.

Tu me invejas!

(…)

Eu honrar a ti? Por quê?

Livraste a carga do abatido?

Enxugaste por acaso a lágrima do triste?

(…)

Por acaso imaginaste, num delírio,

que eu iria odiar a vida e retirar-me para o ermo

por alguns dos meus sonhos se haverem

frustrado?

Pois não: aqui me tens

e homens farei segundo minha própria imagem:

homens que logo serão meus iguais

que irão padecer e chorar, gozar e sofrer

e, mesmo que forem parias,

não se renderão a ti como eu fiz”

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Referências:

[S. I]. Educ. Disponível em: http:// http://www.educ.fc. ul.pt/docentes/opombo/hfe/protagoras/links/mito_prom. htm. Acesso em 5 abril. 2009.

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Por Henrique Guedes

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