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 Grande parte da população brasileira tem algum preconceito contra os povos indígenas.  Isso acontece porque a maioria dos grandes jornais brasileiros não abordam a questão indígena com imparcialidade – As matérias destes grandes jornais acabam retomando os elementos etnocêntricos cristalizados no imaginário de grande parte dos brasileiros. A mídia, em suas diversas formas, tem um papel importante na vida dos brasileiros: tudo o que é dito por ela a população acredita. Logo, é importante que a população alienada receba informações que retratam a realidade dos povos indígenas – Da forma como as matérias são publicadas, fica claro que os jornalistas não estão preparados para fazê-las; eles desconhecem a realidade destes povos e a realidade contemporânea.

O etnocentrismo europeu está vivo na sociedade brasileira. Em livros ou em qualquer outro material de história, as informações do descobrimento do Brasil em 1.500 mostram que a visão do europeu quando nesse continente chegou, ainda é uma visão existente nos dias de hoje: povos nativos não são vistos como sujeitos, mas como selvagens, sem organização social, seres sem direitos e sem importância. Quando os colonizadores pisaram em terra firme, a terra descoberta, chamando esta de Ilha da Vera Cruz e os nativos de índios, este pensamento ganancioso nasceu.

Os indígenas não têm voz própria, suas falas são faladas por outros. Por conta disso, a imagem estereotipada a respeito do indígena e o que é ser indígena gera preconceitos.

Muitas pessoas acham estranho, ou até mesmo são contra um índio usar roupas, ter uma formação acadêmica, tecnologia eletrônica, dentre outras coisas, pois assim foram condicionadas. Se o indígena não está nu, na mata, para o senso comum ele deixa de ser o que é.

O próprio nome “índio” dado pelo colonizador acaba permitindo que o senso comum pense desta forma, tirando o real nome desses povos – O nome “índio” normalmente é levado para o sentido geral, sugerindo que são todos iguais e que suas culturas não são diferentes, quando justamente cada povo, seja Majoruna, Pankararu, Xavante ou Tenetchára, dentre outros, possui culturas diferenciadas.

Agora vamos voltar para o trabalho sujo que a mídia tem feito. Analisando a forma na qual a mídia apresenta os povos indígenas, podemos notar que a fama de violentos é claramente jogada para estes povos, sem falar nos argumentos preconceituosos. Raras são as matérias que falam do indígena sem estar nesta circunstância; vale lembrar que, normalmente o bonzinho da história é o governo. Afirmações como “O Brasil presenteia 500 índios com 4 milhões de hectares” (Jornal do Brasil, fevereiro de 2007), deixam isto claro, passando para o povo a bondade do governo brasileiro, não uma causa garantida pela a constituição. Estes pequenos “detalhes” passam despercebidos nas mentes dominadas do grande público, talvez por ser algo tão cristalizado na sociedade.

Os jornalistas acabam ignorando as responsabilidades sociais e profissionais, defendendo apenas o interesse capitalista do jornal enquanto empresa comercial. Liberdade de expressão não condiz com liberdade de agressão.

O mínimo que a mídia pode fazer é retratar a verdade, não apenas momentos de conflitos e problemas relacionados a terra. Fica claro que os jornalistas deveriam estudar mais sobre a cultura indígena, acabando com todos os preconceitos – Se a função de um jornalista é passar informação para a população, isto não está acontecendo, pois a única coisa que está sendo passada é ignorância.

Com um pouco de ajuda dos responsáveis pelos as informações falsas e capitalistas, o diálogo entre índios e não-índios será possível.

 

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Referências:

[ Agência USP de notícias.  28 de dezembro de 2008.  Por Renata Tupinambá]

 
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Por Henrique Guedes

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