schopenhauer[1]Schopenhauer postula uma teoria bem realista sobre o mundo, teoria qual causa espanto em algumas pessoas. Schopenhauer teve uma educação cosmopolita; em suas viagens pelo mundo conheceu o mais belo até o profundo sofrimento do homem. Mesmo sofrendo da alucinação religiosa católica, nosso amigo chegou à concepção que o mundo não foi criado por Deus (representante da bondade), e sim por Satanás (representante da maldade), o chifrudo morador da terra de fogo. O mundo é um lugar triste (se os emos descobrem esta teoria, estamos ferrados) por natureza.
Do mundo, Schopenhauer partiu para os humanos. Segundo ele, por meio da vontade, raiz metafísica de toda realidade é possível interpretar a coisa em si. O corpo é dado ao indivíduo de suas maneiras: como representação do conhecimento e como princípio básico, no qual ele chamou vontade.

Não conhecemos a verdade, e sim a representação das coisas (vale lembrar do Mito da Caverna, de Platão). Essa vontade é míope. Ela é a responsável pela procura do homem em satisfazer seus instintos – o que conhecemos por vontade hoje em dia – vontade da qual sempre é renovada. Por este motivo, o homem está condenado a ser triste, infeliz – se a vontade é sempre renovada, estamos condenados a viver procurando e procurando, sem parar, até a morte. Alguns conceitos entram de cabeça no conceito de Schopenhauer, como o amor e a felicidade. Nunca seremos felizes, pois sempre estaremos buscando complementos para uma descoberta passada. Sentimos um vazio que nunca será preenchido. Nossas dúvidas nunca serão respondidas definitivamente. É uma prisão perpétua da existência.

Mas veja bem, há uma lógica nisso. Na nossa sociedade respostas são criadas para os sofrimentos. A felicidade foi achada em uma caixa de cereal matinal. O amor, este pode ser conquistado em um bingo. As bengalas psicológicas da humanidade criaram respostas, não é por menos que existe uma figura ridícula denominada Deus. A filosofia é vista como uma esquizofrênica. Não é por menos que teorias como a de Schopenhauer são vistas como uma espécie de pudim de jiló. A ilusão é a resposta moderna para o sofrimento natural do homem.

Por Henrique Guedes.

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