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O ENADE – Exame Nacional de Desempenho de Estudantes – tem como objetivo aferir, avaliar o rendimento dos alunos e dos cursos no ensino superior. As notas são enviadas diretamente para o MEC, órgão que, baseado nas notas do ENADE, classifica as universidades e os cursos com uma nota de 0 a 5. Baseados nesta nota, alunos procuram as melhores universidades, visando uma formação em uma instituição de renome. Não sabem eles o quão ridículo e nada confiável é essa nota.
O MEC, até hoje, não tomou nenhuma decisão plausível, de real importância. Cada vez mais não passa de um órgão governamental podre, coisa que não deveria ser.
Bem, falemos sobre a prova. Para começar, devo apontar, de cara, que a prova não vale uma cebola frita. O funcionamento é o seguinte: uma mesma prova é aplicada nos alunos do primeiro e do último ano de cada curso, visando avaliar como o aluno entra na universidade e como está no término do curso; acontece que se trata da mesma prova. Os alunos recém-universitários se deparam com questões de alto nível, questões que abrangem conhecimentos profundamente específicos. Alunos de primeiro ano se sentem profissionais formados há anos. Os alunos do último ano, estes não fogem do sentimento ignoto proporcionado pela prova – a cobrança é maior, o medo também – a prova é vista como um janicéfalo.
boicote_enade[1][1]Mas ainda não falei realmente das questões. Elas não têm nexo. Elas não fazem sentido. As questões para interpretação de texto foram elaboradas com descaso, foram, como dizem em algumas regiões brasileiras, “feitas na coxa”. Vale ressaltar também os vários erros de português. Questões de pós-graduação foram colocadas como se fossem matéria de ensino médio.
Uma questão que despertou respostas ásperas de minha autoria foi uma que foi colada em minha mente com saliva, algo como: “(…) quais os direitos dos brasileiros para uma melhora do quadro econômico(…)”, algo quase assim. Minha resposta, esta que não obedeceu às ridículas dez linhas para o texto, contém uma frase que até agora proporciona orgulho para minha pessoa, algo como: “(…) a princípio, acabar com os órgãos governamentais que se dizem importantes e sérios, com membros que não pensam, como vocês, do MEC (…)”. Sim, concordo que é uma resposta raquítica, mas senti prazer em não responder a questão e ainda colocar minha opinião.

Semanas antes da prova, o coordenador do curso de Psicologia da UNIBAN foi até minha sala para “falar do ENADE”. Ele começou falando sobre o funcionamento da prova, e alguns blá-blá-blás mais. No final, ficou claro que ele foi até lá para tentar ganhar os alunos no gogó – um péssimo ator – sim, pois pediu, primeiramente indiretamente e depois diretamente, para falarmos bem da Universidade, isso no questionário sócio-econômico, e para estudarmos as matérias mais avançadas para melhor responder as questões das provas (este pedido foi bem mascarado, mas aconteceu). Bem, se depender das minhas respostas, o nome da universidade na praça não será nem fó nem fú. Fiz o que todos deveriam ter feito – na minha concepção – ou seja, burlar a prova. Na teoria, não abrir as pernas da primeira vez não permitirá futuras penetrações por conta do costume.

O pior é o medo que os responsáveis pela prova tentam passar: quem não aceitar fazer a prova, não receberá o diploma no término do curso. Totalmente democrático, não?! Que venham as reclamações!
Antigamente pensava nas revoluções propostas por amigos à cerca das ações do MEC, para tentar revertê-las. Eles tinham meu apoio, pois pensava que atacar as ações serviria como um detonador para as mesmas; hoje vejo que o quem deve ser atacado é o próprio MEC. Fim ao MEC, amigos.

Por Henrique Guedes

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