Primeiro os jornalistas, agora os profissionais da saúde. Trata-se da lei 7.703/06, também conhecida como Ato Médico.
Essa lei priva os profissionais da saúde de suas funções, priva os profissionais de exercerem aquilo que levaram anos para aprender, aquilo que eles sabem fazer. Aquilo que apenas eles podem fazer.
Todos os direitos destes profissionais ficarão nas mãos dos médicos, estes que não possuem conhecimento suficiente para querer fazê-lo.
Psicólogos, nutricionistas, fisioterapeutas e as demais áreas ligadas à saúde só poderão fazer seu trabalho com a autorização de um médico. Clínicas particulares serão destruídas, assim como a carreira de profissionais já conhecidos ou estudantes, como eu.
Os diagnósticos não poderão ser feitos pelos verdadeiros responsáveis, e sim somente pelos médicos. Estes fazem o diagnóstico e apontam o tratamento para seus “técnicos da saúde” aplicarem. E os possíveis erros, serão jogados para quem?
Os defensores desta lei chula argumentam que o médico, somente ele, tem capacidade para exercer tais funções – quem estuda, 5 ou 6 anos para ter conhecimento destas funções o fazem sem merecer. Segundo eles, “nós” não temos conhecimento o suficiente, e sim teimosia, pois as funções que há anos fazem parte destas áreas da saúde afastadas da medicina, são exercidas de uma forma…incorreta, pois passa da verdadeira função destes profissionais. Ridículo.
O diagnóstico nosológico passa a ser privativo do médico. A prescrição de tratamento e terapias de todos profissionais de saúde passa a ser exclusiva do médico. A direção de equipes de saúde pode se tornar privativa de médicos. Deve haver mútua colaboração entre os profissionais de saúde. Todos os procedimentos invasivos (incluindo talvez vacinas, acupuntura e talvez até tatuagens e piercings, dependendo da interpretação) terão antes que ser aprovadas por um médico.
Como toda lei possui suas contradições, em alguns lugares menos confiáveis (Wikipédia, por exemplo), apontam que os diagnósticos, para algumas áreas, serão jogados para os médicos, mas não é esse artigo que encontramos no projeto de lei!
Grande parte dos médicos deixa claro não gostarem dos outros profissionais da saúde. Eles brigaram pelo poder e ganharam, brigaram pela simbologia e ganharam, agora querem brigar pelo comando sobre os outros e suas funções, e isso não pode ser permitido.
Pergunte para qualquer profissional da saúde, ninguém quer fazer o papel de um médico. Se fosse essa a idéia, a medicina seria o foco de estudo. Ninguém quer tirar a importância do médico, e sim ter o reconhecimento da sua própria importância. O trabalho em equipe certamente funcionará melhor, cada qual com sua função, com seu conhecimento.
A lei do Ato Médico foi aprovada, no dia 21 de outubro de 2009 pela Câmara dos Deputados (grande parte médicos, né?!). Agora o botão de destruição está nas mãos do Senado. Esperemos que, ao menos uma vez, algo plausível seja feito pelos sujos políticos.

Enquanto isso:
Como necessário, manifestações ocorrerão. Dia 1/12, na Metodista do Rudge Ramos, ocorrerá uma manifestação às 17h.
Dia 5/12, será na AV. Paulista, às 10h da manhã.
E dia 28/12, quando o nosso querido Presidente sem dedo vier para SBC na estréia do seu filme, ele será recebido com outra manifestação.
Os organizadores ressaltam a importância de vestimentas na cor preta.

Primeiro o diploma dos jornalistas, depois, como diria minha querida amiga Mariana, os acentos das palavras e Plutão do nosso sistema. Agora a profissão de muitas, muitas pessoas. Qual será a próxima ação tola?

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Ato Médico
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Cuidado, você pode ser o próximo!

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Referências Bibliográficas

Ato Médico – a luta continua. Conselho Regional de Psicologia de São Paulo. Acesso em 26 de novembro de 2009. Disponível em: www.crpsp.org.com.br;

Ato Médico. Wikipédia. Acesso em: 26 de novembro de 2009. Disponível em: www.wikipedia.org.

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Por Henrique Guedes

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