Sabe quando ficamos fixados em alguma atividade ao ponto de não percebermos o tempo passar? Pois bem, esse pode ser um atalho para a felicidade, claro que para alguns especialistas. O flow pode ser a solução para a indagação dentre as primordiais à cerca da nossa existência e do nosso bem-estar: a felicidade.
A Psicologia Positiva postula que a felicidade é (ou seria) o resultado do cultivo de emoções positivas em relação ao passado, o presente e o futuro, ou seja, o bom desenvolvimento destas determinadas etapas existenciais elaboradas pela linha do tempo. Para entendermos o conceito da possível felicidade em flow, seguiremos o conceito da Psicologia Positiva apresentado.

Levando em consideração que os prazeres são definidos como satisfações com claros componentes sensoriais e emocionais, podemos entender uma maneira de experimentarmos a felicidade: pelo prazer.
O prazer pode ser definido como um rápido momento de êxtase no qual não exige muito raciocínio; porém este sozinho não pode ou consegue alcançar a felicidade, tudo por ser resultado da razão e possuir um caráter efêmero. Ao contrário das propagandas capitalistas, o prazer por si só não garante a felicidade, não passa de um componente de um mecanismo físico, humano para atingir um lado mais racional de uma utopia clássica e visada pela humanidade.

Se o prazer não garante a tão sonhada felicidade por não ser auto-suficiente, fica claro que ele precisa de uma ajuda: é aí que a gratificação entra em campo. Quando ficamos fixados em uma determinada atividade – que gostamos – apresentamos uma atenção especial, ficamos fora do ar. Baseados nisso, podemos dizer que sair da realidade é o caminho. Até aí não há nenhuma novidade, pois sabemos que a fuga da realidade é prazerosa – ao ler um livro (se você gostar de ler) você entrará em flow, tendo como base o prazer e a gratificação. Você ficará atento à leitura e guardará o mundo real da gaveta. Imagine o mundo das idéias de Platão. Imaginou? Vejo o estado de flow desta maneira.

Como já ficou clara a idéia da felicidade em flow, podemos colocar um pé na realidade. Uma vez a existência da felicidade ainda não ser comprovada, não passando do patamar de utopia, podemos ver a experiência de flow como uma atividade imaginária para jogarmos fora toda a carga social dada pelo convívio e responsabilidades colocadas em ucharia pelos líderes do clã humano, retirando um pouco de estresse e raiva do exigido organismo, sem falar que é uma forma de suprir a necessidade das bengalas psicológicas de nossas mentes, estas que covardemente acreditam no possível significado, existência e logo veridicidade da felicidade. Se entramos em estado de flow, seja com a leitura, com o cinema, com bicicletas no Parque do Ibirapuera, com relações carnais ou amigáveis, poderemos imaginar a felicidade em coisas remotas, poderemos ver o prazer da Chapeuzinho Vermelho em relação ao lobo, assim como no ato de fuga dos Três Porquinhos à cerca de um vilão semelhante. O flow pode servir como uma espécie de calmante para o nosso corpo, assim como pode nos livrar da interessante indagação existencial como também sofrida e desejável situação humana que é a felicidade.

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Referências Bibliográficas

GRAZIANO, Lilian. Quer ser mais feliz? Entre em flow. Psique. Ciência e Vida. Edição Especial. Editora Escala, ano 3, número 8, 2008. Pág. 32 a 35.

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Por Henrique Guedes

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