Efeito Global. Destruição da terra. Término da vida. Era do pecado. Estas são algumas características dadas à tecnologia. ONGs e “voluntários” apontam a tecnologia como o grande problema do mundo, causa provável do repentino término da existência. Pode ser verdade, a tecnologia do nosso tempo pode de fato destruir o mundo. A solução apresentada: a destruição da tecnologia. Solução trágica, ruim. Colocaria a humanidade em xeque. Seria um golpe certeiro, para matar mesmo.

Mas não devemos usar a palavra “tecnologia” assim, para tudo. Trata-se de algo complexo e importante. Tecnologia é qualquer ferramenta ou descoberta útil para a evolução. Diria até que a tecnologia é uma marca evolutiva.

O Homo Habilis com suas ferramentas de ossos, madeira e pedra lascada fez tecnologia. O Homo Ergaster quando criou seu machado de pedra biface permitiu a tecnologia em sua vida. É certo que a extinção começou aí; inúmeros animais mortos a machadadas. Isso garantiu a sobrevivência, portanto o machado foi uma grande tecnologia. Nenhuma ONG pré-história foi criada para proibir seu uso. Muitos anos mais tarde o Homo Ergaster, até então africano mudou-se para o Oriente transformando-se no Homo Erectus. Sua tecnologia? O Bambu. Outro material natural que permitiu a sobrevivência. Tecnologia natureba.

Agora outra grande tecnologia: o fogo. Essa foi muito importante. Não se sabe quando o fogo foi produzido e utilizado pela primeira vez, mas de certo tornou a vida dos hominídeos melhor. A noite não oferecia tantos perigos como antes. A Alimentação mudou. Seu status natural também: o hominídeo reinou na terra com o fogo. O homem dominou o mundo. Sem dúvida o fogo é o marco da evolução.

Bem, pulemos muitos anos agora: próxima parada o ano de 2010. Uma coisa que distingue o animal homem dos outros animais é o uso de ferramentas. O homem operacionaliza os meios em seu redor para sua comunicação com os outros ou consigo, deixa marca e sinais, como por exemplo, um bilhete na geladeira com o número de uma pizzaria.

No nosso século a tecnologia da vez é a tecnologia industrial. Computadores: o fogo do Homo Sapiens. Como o fogo para os nossos ancestrais, o computador permitiu o homem fazer coisas antes imagináveis, ninguém vive sem um computador; todos têm um por perto ou já ouviu alguém falar sobre. Àqueles que nunca chegaram perto de um, logo chegarão. Diria que o machado é o mais antigo percursor do computador.

Será mesmo necessário abrirmos mão da nossa marca evolutiva? Se é necessário uma mudança, ótimo. Agora, destruir uma marca sem razão é retroceder a evolução, assim como o Homo Erectus quando voltou para a África, terra do Homo Ergaster. Podemos utilizar a tecnologia industrial (não apenas computadores, claro) para salvar nosso mundo. O uso pode ser controlado, a massa tem o poder. A ganância do homem coloca uma máscara assustadora na face da tecnologia, e isso tem sido um grande problema. Não quero o Prêmio da Paz, portanto não apontarei soluções improváveis de salvação, por outro lado acho injusto as ONGs atacarem a nossa tecnologia industrial – não é qualquer tecnologia – com tanta raiva. A tecnologia sempre foi marca de evolução, porém sempre natural. A Industrialização e o poder do capitalismo são o problema. Projetos de aparelhos “amigos do planeta” não são disponíveis para a população. No fim ninguém deseja salvar o mundo de fato, não com o poder dos numerários na ativa. Acredito ser possível manter nossa marca evolutiva e salvar a existência ao mesmo tempo. Se a humanidade parar para usar seus neurônios atômicos em busca de ajuda, teremos algum futuro.

Por Henrique Guedes

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