Twitter, a tal novidade do mundo dos desconhecidos. Já foi odiado, mas hoje é querido. Veja só, que coisa. Você pode utilizá-lo de onde estiver, carro, casa, trabalho, motel ou até mesmo quando você estiver filosofando no trono. Não importa, o Twitter é seu.

Nele encontramos de tudo, notícias, músicas, críticas, receita de bolo e fofocas. Combinemos: o passarinho azul é tagarela. Você pode debater, desde o Evolucionismo até quem saiu do tal BBB – é, encontramos coisas ruins no Twitter também.

Sempre pensei que ele fosse criação de algum sociopata, mas depois, um pouco depois, acabei percebendo que o sociopata seja apenas um solitário. O Twitter é um diário, mas um diário que fala. Modernidade, meus queridos.

Um boteco virtual, talvez o Twitter seja isso. Pensando bem, o Twitter é o garçom, sim, pois ele nos serve, desde do Whisky até o suco de limão sem açúcar. Você pode reclamar, criticar, pedir que ele não reclamará, sempre estará pronto para te servir.

Todos têm Orkut: Darwin, Deus e o Capitão Falange. Supimpa! Todos ligados pelo grande boteco, pelo grande diário virtual. Até a galera do Acre tem Twitter. Tá, piada sem graça. Não é legal brincar com a inexistência dos outros.

Escreva seus pensamentos, suas lágrimas, sua gastrite, você é livre. Escreva, apenas escreva. Escreva para ler.

Como um diário ou um boteco da qualquer vila, lágrimas são misturadas com o néctar, com o líquido do esquecimento, a droga do vício, as letras do poema, o vazio da solidão, com o sorriso da alegria. Escreva para ter alguém por perto. Sempre terá. Somos sociopatas solitários em crise, somos fóbicos sociais por natureza. O passarinho azul é o Freud virtual, o Skinner das letras.

Veja que engraçado, trocamos a certeza do humano pelo humano desconhecido, ou então o humano conhecido pelas palavras jogadas ao vento. A modernidade ajuda, mas também chuta a canela do nosso convívio.

O Twitter é tudo. Roubou o espaço de qualquer outra coisa. O “retwittear” é prazeroso como uma esporrada. A diferença é que você o faz para todos, como em uma orgia.

Damos importância para coisas sem destinatário, sem remetente. É tudo desconhecido, mas importante. É estranho também. Você tem amigos que não têm a amizade e sim o Twitter. Siga, escreva, leia, chore.

E se você ainda não tem um Twitter, trate de providenciar um. Sem ele você não fará parte dos amigos desconhecidos, das críticas sem críticos e da música sem som. Faça parte do espécime Homo Sapiens Twitteruns ou seja apenas um humano com um convívio de verdade.

Por Henrique Guedes

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