Um dia longe das máquinas sujas de uma comunicação forçada. Sem sons grotescos e mentiras de comerciante. Um dia diferente dos outros, nenhuma tristeza nasceu com o sol, minha insônia dormiu. Mais tarde, a grandeza de um sonho distante, belo, antigo, homúnculo e torturador chegou junto a mim. Tirou do seu bolso um grande sorriso, e estampou em minha face. Sempre é assim, involuntário.

O que era para ser uma tarde de conhecimento virou uma tarde de admiração, assim como todas as noites. Um livro aberto para não ser lido, um amor exposto para não ser amado. Tudo ali, simples e perto, porém mais complicado e distante que qualquer outra coisa. Deveras uma tarde complicada.

É necessário enganar. Fugir. Usar uma máscara do tamanho da mentira. Balas de goma aos dizeres de um modelo comportamental, quando o intuito é da graça. Virar doceiro para alegrar a tempestade.

Como no sertão, a tempestade pode tirar férias, mas sempre volta. Forte e cruel. Cruel ao ponto de salvar vidas. Com ela sempre vem os raios, a correria e os guarda-chuvas. Por vezes a tristeza.

Ao tardar a caixa motorizada circula ao som das mais variadas histórias. Torturante. O som emanado pelo sonho era semelhante à gritos de libertinagem. Nunca imaginado. Nem Freud explicaria. Depois chegou a hora do descarregamento. Uma grande carga jogada a uma conversa de dúvidas. Não era possível saber se era um filtro ou um buraco negro, mas foi útil. Útil e ridículo. As emoções distorcem o real da realidade. Não era um sonho, era uma emoção.

Por Henrique Guedes

Anúncios