Vivemos em um país no qual a arte pode ser encontrada em quase todo lugar, seja na música, no teatro, na dança, nas pinturas, etc. A pergunta é: a arte salva? A arte pode ser vista como uma questão cultural. Ela é passada de geração em geração, pode ser o símbolo de um povo ou a saída de uma comunidade. A arte tem um poder desconhecido, pouco valorizado nos nossos dias, porém com um grande histórico social.

Durante anos a arte foi a ferramenta base para movimentos revolucionários. A música é prova disso. Se pegarmos as letras de grandes bandas nacionais – hoje consideradas ruins – como Barão Vermelho,  Camisa de Vênus, Legião  Urbana, Titãs, Paralamas do Sucesso, ou de cantores (a) como Chico Buarque, Raul Seixas, Nara Leão, Elis Regina, entre outros, percebemos isso. Claro que são poucos exemplos comparando ao tesouro musical do país. Aproveitando os exemplos, interessante apontar o grande Rauzito: sua vida musical viveu no mundo sujo e capitalista da Rede Globo, “órgão” que o Raul criticava sem medo em suas letras poéticas cheias de significados agnotos. Coisa de gênio. Coisa da arte.

A arte está voltando, na velocidade de uma tartaruga, à nossa sociedade. Todos os projetos sociais que encontramos nas comunidades têm base na arte, principalmente na música, da dança e na arte das cores. De fato a arte está voltando a ser valorizada, porém seu uso ainda está longe de ser o ideal.

Pensemos diretamente no principal ambiente brasileiro que a mídia mostra a arte: nas periferias. É realmente extraordinário o papel das ONG´s que trabalham com a dança de rua, com o RAP (ou Hip-Hop) e com o gravite,  visando melhorias na comunidade. Porém fica claro que a arte é empregada de forma muito idealista. Para que a arte funcione de forma realmente social, é necessário, antes de tudo, saber o que ela oferece, para quem oferece e por que oferece. A arte já diminuiu a violência nas grandes cidades brasileiras, assim como os assaltos, mas poderia ser melhor.

O governo nos últimos anos está financiando a arte como “salvação”, mas isso porque é lucrativo. Criar espaços culturais e quadras de esportes não é arte, é desespero. É fácil alguém entrar “na arte” nos movimentos sociais, e sair direto para  o mundo  da violência, como uma rotina. O que  quero dizer é que a arte salva, mas deve ser melhor trabalhada. A arte das ONG´s deve oferecer algo e tirar algo do indivíduo também.

Mas não podemos apenas falar da arte como uma saída para questões sociais, devemos falar também da arte como terapia. Nos últimos anos a arte vem ganhando espaço nos centros terapêuticos, e tem apresentado bons resultados. Quebrando o mito que toda patologia mental deve ser tratada à base de fármacos, a arte já ajudou muita gente. Está estressado? Esqueça o calmante, tente aprender tocar um instrumento. Está triste? Escreva um poema. Está com raiva? Escreva uma música. Não viva  motivado por drogas lícitas, viva baseado na arte (claro que isso é relativo, depende do caso), a idéia é essa.

Mesmo na “arte” duvidosa que temos, podemos pensar em uma saída social ou em uma saída terapêutica, tudo depende do caso. Eu mesmo conheço pessoas que têm diversas formas de arte como saída para alguma frustração. O que quero dizer, afinal, é que a arte oferece muito mais do que pensamos, do que já temos. A arte pode salvar a sociedade, pois somos uma arte.

Por Henrique Guedes

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