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Crônica de Henrique Guedes

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Quanto vale o estresse dos brasileiros, caros leitores? Os miolos cansados apenas garantem o café com leite e pão na chata na padaria do seu Zé. O ócio, nosso velho e bom amigo, fora preso e esta hora deve estar sendo torturado no porão do DOPS. Só sobrou o tal do negócio, dono da grande senzala sem preconceito e com computadores.

Minha vozinha sempre falou do Tico e do Teco, moradores de nossas mentes animadas. Fiquei sabendo que um virou loucura e o outro está tentando se matar com os pensamentos suicidas. Pobres operários do estresse. Um contubérnio social.

Temos correntes ácidas presas nas nossas vidas sociais. Chicotes 2.0 para os escravos mais cansados. Você precisa garantir o pudim de leite dos patrões, afinal. Nada de atestados médicos, cefaléias ou bungee jump no abismo.

Mas o balde está aí para ser chutado. E as ruas com jornais com as últimas notícias também. No frio das calçadas as notícias são quentes. E lembra do Teco? Nessa hora ele já se matou com o pensamento que você tinha reservado para seu chefe.

Não adianta choramingar com o balde chutado, com o leite derramado. Aliás, lamba o leite, pois sem sua comida escrava é o que resta. Com sorte você descola umas rosquinhas com o seu Zé, da padaria. Nossa condição social é precária, mas é moderna e coisa de humano evoluído.

O acúmulo de papel é o que garante suas torradas ou seu manjar. Com alguns deles você compra um contador de tic-tacs para você não passar da hora da humanização. Quinze minutos para o café, cinco para a respiração.

Por sorte temos as soluções engarrafadas e a dança do elefantinho, para tirar o estresse da sua mente. Sim, da mente, caro leitor. No novo mundo estresse é coisa de picareta; somos robôs em potencial, só faltam alguns parafusos. Mas se nada funcionar com você, vire E.T nas matas brasileiras, mas use nome de cachorro de Hollywood, para causar melhor impressão.

Por Henrique Guedes

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