Hoje, respondendo os comentários de outros posts como costumo fazer, deparei com um comentário que chamou minha atenção. O comentário fora feito no texto sobre os Sinais Mais (veja clicando aqui), e este fala sobre o medo da morte (com a clássica visão religiosa).

Há anos escutamos teorias sobre a destruição do mundo, coisa que acabou virando costume. É natural do homem sentir medo, e comentários à cerca da destruição do mundo certamente acarreta uma preocupação de preservação. Não sabemos o que somos, não sabemos qual nossa origem, então é justificável esse medo de morrer de forma repentina.

Mas o que a morte nos oferece? A resposta é simples: nada. A morte não oferece riscos, não oferece dor, não oferece lamentações. Com a morte apenas contribuiremos com a vida de outros seres – em forma de alimento – coisa que não saberemos. A morte não oferece riscos porque nada pode acontecer com você depois de morto. A morte não oferece dor porque você será um pedaço de carne sem vida. A morte não oferece lamentações porque você não terá um sistema nervoso central ativo, logo você não apresentará um comportamento emotivo ao pensar que seus “planos para o futuro” não serão colocados em prática.

Não há porque temer a morte. O máximo que você pode temer é a morte de alguém próximo, pois você continuará com vida e com o SNC ativo, mas temer a própria morte? Não há motivo lógico. No sistema religioso existe a crença que depois da morte existe uma espécie de vida, ou você sofrerá ou gozará dos prazeres divinos. Essa teoria encoraja o temor das pessoas para com a morte, estas que acabam trocando suas vidas (ou seja, o presente) pelo futuro (a morte). Como na estória infantil “A Cigarra e a Formiga”, na qual a formiga troca o presente pelos prazeres futuros, os seguidores da crença religiosa não se preocupam com a vida, pois a morte é mais importante. A segunda preocupação dos religiosos é a mesma das formigas: levar as pobres cigarras com elas.

Mas o que podemos pensar com isso? Se existe uma segunda vida, cruel ou maravilhosa, por que sofrer durante muitos anos como simples humanos? A vida tem muito conteúdo para ser deixada de lado dessa forma. Deveríamos ser cigarras e não formigas paranóicas. Trocar a vida pela promessa de um paraíso após a morte apenas deixa claro o quão doente a humanidade está. E não trocamos a vida pela morte apenas no campo religioso, trocamos no campo social também. Todas as nossas ações têm como combustível o futuro, coisa que não temos idéia do que seja. Cada segundo que é contado vira passado, mas não ligamos para isso porque estamos pensando no futuro, enquanto o presente é abandonado. Posteriormente o futuro vira presente, e o passado lamentação. Esquecemos que o hoje é o passado do futuro. Perls foi genial ao observar isso.

Epicuro postulou que a solução para a vida é a morte, pois só na morte temos a ataraxia. Se temos a ataraxia na morte, é mais saudável viver de forma natural. O nosso futuro é a morte, então devemos viver a vida e temer os riscos reais. O inferno já existe, e o paraíso é o que criamos para fugirmos dele. As cigarras atéias caçoam das formigas agorafóbicas. O medo da morte, seja baseado no campo religioso ou não, apenas reforça um comportamento fóbico na humanidade, o que não deveria acontecer. Portanto viva o presente, pois o futuro pode ser um grande nada.

Por Henrique Guedes

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