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Tirinha em tamanho real no blog Um Sábado Qualquer

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Falar que Deus controla os crentes em seu ensinamento por intermédio do medo não é mais novidade, pois aparentemente isso já é claro. Todas as ações dos seguidores de Deus são baseadas na promessa de uma recompensa sem data de entrega, assim os religiosos passam suas vidas de uma forma precária, e digo isso pensando nos prazeres que a vida oferece, estes que são rejeitados por uma crença irracional. Essa promessa de recompensa acompanha a ameaça de dor e sofrimento para aqueles que negarem a obediência – Deus aperta o botão que ativa o temor humano para continuar reinando. Quando falamos em Deus estamos falando de um governante sem escrúpulos, que queima os denominados  pecadores e permite que seus discípulos beijem seus pés. Um verdadeiro ditador.

Agora se existe uma coisa que os religiosos nunca pararam para pensar – o que parece ser lei entre eles – é o que sustenta tanto ódio em um “ser” que é considerado símbolo de bondade. O motivo parece ser claro: medo.  Na estória bíblica Deus é o criador de tudo e de todos, é representado como o belo, como o bom. Nada é melhor ou mais puro que ele. Pensando dessa forma, temer Deus seria a mesma coisa que temer uma mosca. No entanto, na mesma estória, existe o Diabo, responsável pelo sofrimento e destruição, é representado pelo feio, pelo mal. É o oposto de Deus, e pela lógica, deve ser temido, evitado. O Diabo é o deus do mal, tem sua própria bíblia (Codex Giga) e seu próprio território.

Agora pensemos: diante ao Diabo, para que serve os ensinamentos de Deus? Só a ameaça do castigo eterno é o bastante. Como conseqüência a humanidade não temeria Deus, e sim o Diabo  – a humanidade não passaria de um agrupamento de hadefóbicos. Mas como Deus na estória é o grande criador, não poderia deixar isso acontecer e logo pensou em como deixar de ser a mosca que é: destruição, dilúvio, genocídios, ou seja, o que todos já conhecem. Deus passou a assumir o papel do Diabo para ser respeitado, e parece que funcionou, pois ninguém fala que teme o Diabo, e sim “a ira de Deus”. Sem essa iniciativa Deus não passaria de um garotinho solitário querendo atenção, enquanto seu inimigo andaria por aí cercado de discípulos.

A estória bíblica domina vários povos há muitos anos, e isso é fruto da genialidade humana. Deus é a maior invenção da humanidade, e juntando isso com o medo natural da nossa espécie, virou arma de dominação. Levando em consideração que o deus judaico-cristão não passa de um ser mitológico, assim como Zeus, Thor, Hórus, Buda, Krishna, Maomé, Zoroastro entre tantos outros, e não pode ser observado ou tocado, não devemos esquecer dos responsáveis em manter a tradição viva: os padres, os bispos, o papa, os pastores, etc,  todos sofistas profissionais. Eles são fundamentais para a sobrevivência de todos os deuses, e cada um tem seu estilo cultural – os Tibetanos, por exemplo, que acreditam que o eclipse solar é um demônio que está se alimentando do Sol. Quando o eclipse começa os padres mandam eles subirem no telhado e baterem palmas até o demônio deixar o Sol. E sempre funciona! Sábios padres.

Os padres e companhia, que são conhecidos por serem “representantes do Senhor”, apresentam o mesmo medo que Deus: fogem de debates, usam sempre a mesma fraseologia para camuflar a situação, excomungam os que não acreditam, e se a igreja estiver perdendo seguidores, fazem um grande show com efeitos pirotécnicos. Jogada de mestre. E se isso não funcionar, abrem o cofre cheio de dinheiro (do dízimo) para contratar um ator especialista em possessão demoníaca. Ou seja, os padres e companhia são os gerentes de Deus, este que tem tanto medo que não dá as caras. Deus é uma espécie de agorafóbico. Deus teve medo de perder seu cargo de grande criador para o Diabo, teve inveja do medo que ele oferece para a humanidade e ficou frustrado com isso.

Deus quando está com raiva mata e coloca a culpa no Diabo. Os padres e companhia quando contrariados falam que algumas criações da  humanidade (cerveja, drogas, boates, etc) são criações do Diabo (e quando percebem que depois de tal justificativa ninguém quem passar a eternidade passando a mão em leões, lembram do lago de fogo), ou seja, Deus mata porque sua função é acabar com pecado.  Os padres mentem porque a função deles é justamente não deixar que Deus acabe. E os cristãos, por vez, acreditam.

Deus, como um bom governante, é mentiroso e vive protegido por seus lacaios. O mundo só não foi destruído ainda porque o papa e companhia não podem fazê-lo.  E essa idéia de paraíso? Tudo belo, puro, limpo, sem pecados, sem lamentações, um verdadeiro tédio. Mas a promessa do paraíso não surgiu como uma idéia de boa vida eterna para os cristãos, Deus só quer mais escravos, e depois do fim do mundo o Diabo não será mais uma ameaça (para ele).

Também é interessante ressaltar o medo passado pelas gerações. As pobres crianças sempre são as mais castigadas. É Bicho-Papão, Cuca, Homem do Saco e Deus. E em todos os casos o pior é ensinado. As pessoas aprendem a ter medo logo na infância, e passam a vida inteira com medo de aproveitá-la. Aliás, um bom exemplo a grosso modo da Memética, postulada por Richard Dawkins. Continuando,  em uma análise profunda, quem deveria ser venerado era o Diabo, pois ele não castiga (quem manda os pecadores para o inferno é Deus), não ameaça, e segundo os padres, criou a cerveja, as boates e o Rock and Roll. Isso me faz pensar que se existe o paraíso e o inferno, quero ir para o inferno, e isso não é um ensinamento satânico, que fique claro.

A verdade é que Deus só continua matando para reinar porque a humanidade quer. Os humanos têm a necessidade de ter medo, e já como a ciência não explica tudo, vai Deus mesmo. Os religiosos dizem que a resposta sobre a existência do todo poderoso está na bíblia, e é verdade – foi lendo a bíblia que virei ateu. A humanidade continua no processo de evolução, e a cultura está sendo modificada a cada década. Quem sabe daqui alguns anos o deus judaico-cristão não seja trocado pelo Conselho das Fadas Assassinas, ou pelo Coragem, o Cão Covarde,  só para renovar a cultura religiosa?  Fica a idéia.

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Tirinhas retiradas do blog Um Sábado Qualquer, de Carlos Ruas.

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Por Henrique Guedes

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