Ao falarmos de religião não podemos deixar de salientar os principais costumes, estes que são responsáveis por apresentar diversos grupos religiosos, cada qual com suas características. Cada religião é formada por uma série de rituais, assim como a apreciação de um deus principal, sendo que o ritual mor é a oração (reza).  A oração é um canal de comunicação direto com o deus central (cada religião com o seu) onde é possível suplicar ajuda, saúde, amor, atenção, etc. Este canal de comunicação também serve como uma espécie de medidor de crença – o deus em questão atende ou não as súplicas, tudo depende do nível de aceitação do orador se deus é bom por que faz papel de ditador?. Agora uma dúvida que serve como base de debates entre teístas e ateístas, é a eficácia da oração – Orar realmente funciona? Não é preciso dizer o que cada lado do debate acha, não é mesmo?

Como “ateu” convicto e estudante da mente humana, acredito que a oração funciona, mas sem nenhuma conotação religiosa. Nosso cérebro se comporta de acordo com a necessidade, logo orar (rezar) pode ser uma saída, assim como colocar um copo com água em cima da televisão, ou dar três  pulos para São Longuinho, o gerente do departamento divino do “achados e perdidos”. É válido ressaltar que não acho que seja algo inato (até porque sou empirista) e sim adquirido.

Tentarei exemplificar o pensamento: você está com um problema e não consegue resolver. Completamente estressado, você resolve orar em busca de ajuda, e algumas  horas depois você acha a solução do problema e dá todo o crédito para deus. Será que deus realmente ajudou no problema? Claro que não. Você só não achou a solução antes porque estava estressado, apresentava um baixo nível de serotonina, logo sua capacidade de percepção e avaliação estava comprometida.  Seu deus não passa de uma bela dose de serotonina – e outros neurotransmissores –  para o funcionamento adequado do SNC. Em outras palavras, a oração faz o papel de um remédio placebo. Se você acreditar em um prato de macarrão e orar pensando nele, é bem provável que você receberá resultados, assim como é provável que você passe a ser membro da Igreja Universal do Reino do Macarrão.

Em setembro de 2000, a revista “Super Interessante” publicou um artigo sobre um experimento que fora feito em pacientes, matéria esta originalmente publicada na revista “Talk”. A idéia principal do experimento era saber se as preces intercessoras (quando a oração tem como foco uma pessoa que está fora do ambiente de oração, uma pessoa que  não sabe que é foco de orações) funcionam.  O experimento você pode ler aqui. A pesquisa apresentou resultados interessantes, pois o grupo de pacientes selecionados para receber as preces intercessoras melhorou. O que os pesquisadores não levaram em consideração (talvez pela crença pessoal) é que a maioria dos pacientes selecionados acreditavam em uma saída alternativa. Um religioso não precisa orar ou saber que alguém ora por ele, pois isso é automático. Os crentes não conseguem nem tomar café da manhã sem colocar deus no meio, imagine quando estão em uma cama de hospital.

Mesmo lendo em algumas revistas científicas conhecidas que não existe comprovação científica para a eficácia da oração (como na matéria postada), é comprovada a relação dos neurotransmissores com a capacidade de percepção, ou até mesmo o funcionamento de um remédio placebo: o paciente selecionado apresenta melhoras em seu quadro clínico, isso depois de ser tratado com placebos, estes que não passam de cápsulas de açúcar com farinha. O paciente acredita que irá melhorar por conta do tratamento, o corpo produz mais anticorpos e o quadro clínico melhora. É ciência humana básica. Da próxima vez que você for orar pense: seu deus existe, ele é seu cérebro.

Por Henrique Guedes

Anúncios