Bem meus queridos (a) leitores, hoje fiquei sabendo que meus direitos trabalhistas não estão sendo respeitados: fui comunicado que, uma vez ateísta, estou a serviço do diabo. Pelas barbas do profeta! Estou aqui, cheio de dívidas, e tenho uma segunda fonte de renda não utilizada. Estou em greve trabalhista.

Se bem que isso é muito estranho, pois não lembro de ser funcionário do diabo. Nunca estive no RH do inferno, então deve ser um engano. Ou não! Vejam só, amigos leitores, sou um funcionário público infernal, ou melhor, um funcionário fantasma. Tenho a função, mesmo sem exercê-la. A diferença é que ainda não recebi nenhuma remuneração.

É uma das melhores funções: não faço nada, e o melhor, nem precisei usar fantasia de pingüim comportado no processo seletivo. O ruim é a alta temperatura, imagino. Só falta receber, e é claro, ter registro na carteira. Acho que é cabível até um processo trabalhista. O diabo não sabe onde amarrou seu jegue metafísico.

Gostei da idéia, meus amigos. Trabalho para o diabo, sem saber, mas o trabalho é sossegado. Só espero fazer meu trabalho direito, leitores, pois não quero ser banido para o setor dos atendentes de call center do inferno. Agora, se todo ateísta é funcionário do diabo, já tenho alguns amigos. E então galera, cervejada na sexta para comemorar?

Por Henrique Guedes

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