Em um mundo relativo, este que abriga várias verdades, que na verdade não são deveras verdadeiras, pensar em cortar a língua da liberdade de expressão soa como um ato tirano. No entanto, pensemos: liberdade de expressão tem limite? Digo, é preciso aceitar a “liberdade” do outro custe o que custar? Para os grandes pensadores a resposta é rápida e simples: Não há limites para a liberdade de expressão. Para outros, como este que vos fala, a resposta também é simples: não sei.

Todos nós existimos, pensamos, e por conseqüência criamos teorias, mas de forma curiosa acabamos achando que a nossa concepção particular (ou grupal) de mundo é a mais coerente. Na era dos blogs, a divulgação de teorias já se tornou clichê. Basta observarmos que todos os blogueiros, vlogueiros, twitteiros, etc., querem de certa forma vender seus peixes, mas eles não levam em consideração que nem sempre seus peixes são frescos. O mesmo vale para musicistas, poetas, ou seja, artistas em geral. Todos prometem a aceitação de outros pontos de vista, mas isso não passa de teoria.

Existe uma frase muito famosa, esta utilizada com freqüência entre os amigos do Livres Pensadores: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las.” (Voltaire).  Bem, usarei essa frase como matéria-prima para a venda do meu peixe. Muitos não entendem que o “(…) defenderei até a morte o direito de você dizê-las (…)”, faz referência à luta pela liberdade de expressão, sendo assim, acabam usando tal frase como desculpa para falar abobrinhas. Escolhi essa frase porque ela é conhecida e muito usada. Além disso, já recebi várias respostas baseadas na mesma frase em debates.

Pelas barbas do Raul Seixas, há limite para tudo. Uma vez humanos, somos livres pensadores, não livres aceitadores de conversa barata. Questionamos a atitude dos outros indivíduos, questionamos a cultura do outro, a tribo do outro, as idéias do outro, e ainda falamos em liberdade de expressão sem limite. Não concordar é não aceitar.

No momento que soltamos a “segunda versão” de  tal frase (ou pensamento semelhante) estamos automaticamente aceitando coisas que não queremos aceitar, como racismo, doutrinas religiosas, cantores de pagode e dançarinos de axé. Reclamamos da lavagem cerebral feita pela Globo, reclamamos da lavagem cerebral feita pelas igrejas, reclamamos das decadentes matérias de portais como a UOL ou até mesmo da Globo.com (G1), reclamamos das picaretagens políticas, da música ruim, do sexo gratuito, da adolescência perdida, da natureza destruída, das mortes por racismo, pelo alto custo da cultura no nosso país, pelo o estado que deveria ser laico, pela Ivete Sangalo tocar no Rock in Rio, pelo Datena vender preconceito  contra os ateístas, todas elas frutos da liberdade de expressão de alguém, ou seja, reclamamos e lutamos por muitas coisas, portanto não é natural da nossa cultura, do nosso intelecto, aceitar a liberdade de  expressão custe o que custar.

Bem, até aqui consigo ressaltar que a liberdade de expressão deve realmente existir, é importante, caso contrário você não estaria lendo este texto, e o mesmo vale para todos. Agora, o que deveríamos aceitar, no meu ponto de vista, é o limite da liberdade de expressão; este limite já existe, negá-lo é apenas um comportamento incongruente. Os meus pensamentos não têm correntes com bolas de aço presas nos pés, mas mesmo assim eles não conseguem pular o muro do campo da coerência. Tentam, mas não conseguem. Então, antes de defender a liberdade de expressão sem limites, faça uma análise do seu comportamento, das suas idéias. Veja se você demonstra acreditar no que diz.

Por Henrique Guedes

Anúncios