Saudade do simples, do pacato. Do calor insuportável e da comida diferente aos olhos de um estômago turista. Saudade da longa distância, das longas caminhadas, dos vários trabalhos, do pouco dinheiro, dos animais domésticos e rurais. Saudade das noites de festa, da música ruim, e das moças bonitas de uma cidade esquecida. Saudade do abraço da melhor mulher do mundo, da comida sem gosto, e das brigas sem sentido.

Saudade do bom ensino, dos bons amigos, da cachaça na beira do rio, e das estórias de fantasma ao redor da fogueira. Saudade de algo que é meu por herança. Saudade das risadas, do balanço da rede, dos mergulhos no açude, da falta de trânsito, do bom ar, das velhas fofoqueiras nas calçadas e da vida tranqüila. Saudade do cheiro de mato, do balanço da carroça, do cantar do galo, da água salgada, e dos doces caseiros.

Saudade de tudo. Saudade de algo que não é meu por natureza. Saudade das gírias desconhecidas, dos temperos fortes, da religião forçada, e da falta de livros na estante. Saudade da família, da terra seca, da farinha na comida, da cadeira de balanço e do café fraco. Troquei tudo para voltar para o que é meu por natureza, mas que não me oferece o que a terra que sinto saudades me ofereceu um dia.

Por Henrique Guedes

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