O título do post já é um desafio ao intelecto humano. Pergunta clássica, quase ao nível da indagação à cerca do ovo e da galinha. “E aí, tudo bem?” ataca a necessidade humana da mentira. Trata-se de uma pergunta clichê, normalmente acompanhada do “Novidades?”. A resposta sempre é uma mentira. Ninguém nunca está bem, assim como sempre há alguma novidade.

Sempre sou abordado com tal pergunta no Twitter, pela minha amiga Michelle; aliás, dedico este post para ela. Acho o “tô bem” muito vago, mentiroso, então evito dá-lo aos amigos. Em conseqüência, qualquer resposta que não seja o “tô bem”, remete uma preocupação à cerca da sua pessoa ou a fama de pessimista. Um verdadeiro problema social.

Quando a outra pessoa pergunta, “E aí, tudo bem?”, ela te coloca em xeque, te coloca em profunda reflexão existencial. E agora, José? Qual a melhor resposta? Mistério humano, amigos! O que é estar bem, afinal? Estar saudável? Vivo? Alegre? Qual o real objetivo de tal indagação? Dúvida cruel.

Somos seres socialmente engraçados. Somos membros de várias redes sociais, estas que divulgam nosso gosto musical, nossos programas prediletos, nossos ídolos, nossas fotos do final de semana, nossa tribo, entre tantas outras coisas. Mas se deixamos escapar um “não estou bem”, a coisa muda de face. Se você responder isso, será taxado de depressivo, chato, pessimista. Irão alertá-lo que seus sites de relacionamento social não são diários pessoais. Mas falar que está tudo bem pode. É estranho.

A única coisa que retrata fielmente a subjetividade privada, na modernidade, é o sentimento. Ninguém quer saber realmente como você está. A educação é algo social. O “E aí, tudo bem?” é automático. Quando a pessoa pergunta isso, ela não tem noção de quão complexa é a pergunta. É até uma pergunta perigosa, pois podemos pisar no calo sentimental do outro. Isso não proíbe uma real preocupação amigável, claro, mas não deixa de ser perigoso.

Conversando com a Michelle, já respondi “não sei”, “tô vivo”, e agora respondo com o post em questão. Na verdade não estou respondendo nada, até porque não há resposta alguma aqui. Na realidade não sei responder tal pergunta. É muito complexa. “Tô bem porque estou vivo”? Não. “Tô bem porque estou alegre”? Não. “Tô bem”? Não. É deveras complicado. Penso que retrucar a pergunta é o mais eficaz, pois oferecer o mesmo veneno que você recebera é uma tática de mestre; “Tô bem, e você?”. Pronto, estamos quites. Mas isso não mata a pergunta, o mistério. Não há resposta rápida. Não há resposta lógica.

O problema é que estamos acostumados com respostas miojo. A pergunta é superficial, a resposta instantânea. Sendo assim, que tal responder quão vagamente a pergunta? Andar com uma resposta pronta, seja ela uma frase, um refrão da sua música predileta, um poema famoso, ou um trecho de um post meia tigela. Fico na corda bamba da criatividade ao tentar responder tal indagação. Nenhuma resposta válida sai da minha oficina cerebral. Tico e Teco, considerem este post como um aviso-prévio.

Quando alguém me pergunta “E aí, tudo bem?”, automaticamente penso que estar bem é estar vivo, ou em algum momento feliz. A resposta tem que ser curta e grossa. Acho que a melhor resposta para a pergunta é “talvez”. Sim, pois há vários fatores que determinam o estado do ser. Tá aí, uma resposta quão vaga a pergunta. Todos respondem “sim”, quando às vezes é “não”. Um “talvez” é o abraço entre o “sim” e o “não. Eureca. E aí, tudo bem? Talvez.

Por Henrique Guedes

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