Esse ano fora base para uma discussão de grande importância: a legalização do aborto. O tema é deveras complicado, pois vai contra vários tabus sociais, como a religião, preservação da vida, direitos humanos entre outros. A legalização do aborto teve grande repercussão devido à ignorante barreira que muitos criaram para com o assunto.

O aborto clandestino no Brasil causa, em média, 600 internações diárias, sem falar que é a terceira causa para a morte materna no nosso país. O abandono de recém-nascidos e de crianças mais desenvolvidas, não fica fora dos dados. Ninguém com o mínimo de intelecto apresenta justificativas contra a legalização do aborto no nosso país. Quem é contra a legalização do aborto, nunca parou para pensar no assunto. O aborto é um direito da mulher, não um crime.

A legalização do aborto, antes de qualquer coisa, é uma questão de saúde pública. O dogma não tem argumentos contra isso. Estamos falando do bem  da saúde de mulheres e crianças. O objetivo da legalização do aborto, não é permitir uma carnificina, como muitos acham. Sou homem, não sei qual é a sensação de abortar, mas imagino que seja muito doloroso. Nenhuma mulher irá fazê-lo por prazer. A proposta de legalização irá fazer com que os abortos que já acontecem ilegalmente tenham mais segurança. O aborto não será como comprar cigarros na padaria. Um feto não é uma pessoa, assim como uma semente não é uma árvore desenvolvida. O feto não saberá que foi abortado, mas uma criança saberá que foi abandonada, assim como saberá quando está com fome e com frio e que não pode mudar a situação, já que está na rua, sem sua mãe.

A religião, como já fora dito, é uma das grandes barreiras criadas contra o direito da mulher. O estado é laico, a religião não pode criar barreiras. Se você é um religioso e é contra o aborto, a solução é simples: basta não abortar. O direito é seu. A sua crença não pode interferir no direito dos outros indivíduos. Uma das funções do estado é proteger os cidadãos, e é justamente isso que a proposta da legalização visa. Você pode ser contra o aborto, mas aceitar a legalização.

Em quase todos os países ocidentais que o aborto foi legalizado, não é permitido abortar após três meses de gestação. Há imagens de fetos desenvolvidos supostamente abortados que percorrem a internet, imagens  postadas por pessoas que são contra a legalização. Ressalto: essas imagens são enganadoras. E outra: o aborto não será uma obrigação e sim um direito. Legalizar não significa incentivar o aborto. A idéia é: se alguma mulher precisar / quiser abortar, ela terá assistência médica para fazê-lo.

Se não bastasse, a bancada evangélica apresentou o PL 7022/2010, criado pelo deputado Robson Lemos Rodovalho (PP-DF) que nada mais é que um cadastro de todas as grávidas, visando controlar a prática “ilícita” do aborto. Se isso não é uma ofensa aos direitos da mulher, não sei o que é. Em primeiro lugar, essa bancada não deveria existir. O estado laico deveria ser contra sua formação.

Essa bancada visa defender os interesses das igrejas no país; todos sabem que os interesses da igreja nunca trazem benefícios para a população.  O Estado é Laico, oras bolas. A saúde pública está em colapso porque ninguém dá um fim na brincadeira política que alguns indivíduos mantêm. O país é democrático, logo a mulher tem direito de abortar ou não. O Estado é Laico, logo a bancada evangélica deve ser exterminada e os interesses religiosos deixados de lado.

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Referências:

Dez Razões Para Legalizar o Aborto. Sapataria: Coletivo de Mulheres Lésbicas e Bissexuais do DF. Acesso em 29 de dezembro de 2011. Disponível em: http://sapatariadf.wordpress.com/legalizacao-do-aborto-10-razoes/ ;

PL 7022/2010 Projetos de Leis e Outras Preposições. Câmara dos Deputados. Acesso em 29 de dezembro de 2011. Disponível em: http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=470756 ;

Universidade Livre Feminista. Acesso em 29 de dezembro de 2011. Disponível em: http://vimeo.com/tvfeminista .

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Por Henrique Guedes

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