Não é preciso dizer que a militância ateísta está ganhando adeptos em todos os lugares e como conseqüência, é possível presenciar o número assustador de grupos voltados para a causa. É válido ressaltar que, quando digo “assustador”, faço referência ao crescimento no número de ateístas declarados. Nas redes sociais, principalmente no Facebook, há tantos grupos ateístas que até perdi a conta. Com o surgimento de tais grupos, a militância ateísta está escrevendo novas páginas na História. É deveras uma boa coisa.

Mas como todos sabem, nem tudo é feito de maravilhas. Há quem diga que o ateísmo está caminhando rumo a uma nova religião, com regras, líderes e costumes. Não concordo. Atualmente, os grupos ateístas são formados por intelectuais, pensadores de todos os gêneros, que a qualquer sinal de perda de liberdade, abandonarão o barco sem pensar duas vezes. Para que o ateísmo vire religião, é necessário que aconteça exatamente isso: com o surgimento de regras os pensadores abandonarão a causa, e os que restarem, serão aqueles que aceitaram as regras. Só assim o ateísmo estará condenado ao status de religião.

A meu ver, a condenação dos grupos ateístas existe, mas não como religião, e sim como uma espécie de um conjunto de chapas eleitorais. Mesmo sem um vínculo com a política, é assim que os grupos ateístas são atualmente. Há brigas entre os grupos, entre os líderes, entre os membros. Há acusações de plágio e de ações condenadas pela lei. A perda do controle já fora anunciada, logo a militância ateísta já assinou sua decadência.

Aparentemente, os “partidos ateístas” brigam por status; não há mais a velha preocupação em apresentar a vontade de mudança para a sociedade. Como membro de um dos diversos grupos existentes, me sinto no meio de um tiroteio. Todos os grupos entraram na onda. E não, isso não é uma denúncia, não passa de uma reclamação publicada para todos. No meu ponto de vista, sou membro de todos os grupos. Tenho a mesma ideologia de todos. Não quero  brigar com pessoas que têm o mesmo pensamento que eu, ao contrário, quero estar com eles. É lastimável que os grupos existentes não pensem assim (no meu ponto de vista, claro).

Enquanto os grupos ateístas brigam para mostrar quem faz melhor, a situação continua a mesma. O preconceito contra os ateístas só aumenta, assim como a má fama. O Estado Laico continua envolvido nos tentáculos do cristianismo. A bancada religiosa ganha mais força todos os dias  e sua contribuição para a decadência do estado continua. Enquanto isso, os grupos que de propuseram a mudar todo esse quadro, atualmente está brincando de campo minado. De duas uma: ou paramos com toda essa politicagem ateísta – para que tudo funcione – ou paramos de vez. Não dá para fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Deixo aqui minha rápida e simples frustração e dica.

 

Por Henrique Guedes

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