Uma coisa que tem roubado a minha atenção nos últimos meses é esse papo mofado de “amor”. Amor aqui, acolá, amor em todo lugar. Até parece praga. Se bobear é. Dizem que o amor está no coração. Pura asneira! Ele está localizado no cérebro, na parte responsável pela idiotice. Percebi isso.

Tudo é amor. Sentimento, poemas e sustento de cantor brega. Pelos pixains do Reginaldo Rossi, o que é o amor? Amor é aquele estímulo que ataca nosso comportamento, rouba as rédeas, sem medo de nada, que corre até cair na fossa, quebrando as duas pernas, sem conseguir subir para tomar ar fresco.

Também dizem que o amor está na ponta da flecha de um arqueiro míope. Idéia bem compatível com a idéia de amor: machuca, tira nosso sangue ou nossa dignidade, depende da flechada. Estes dias fiquei sabendo que o sindicato dos arqueiros míopes, responsáveis pelo amor, fora multado pelo Ministério da Saúde; acharam vestígio de Dolly Guaraná misturado com amor nas pontas das flechas. Sem falar nas denúncias que dizem que alguns arqueiros trabalham bêbados.

Mas também há formas de amor bom. Tem o amor de mãe, que te bate quando você faz algo que ela considera errado. O amor de deus, este que não existe. O amor entre pessoas, que te deixa com cara, idéias, comportamento e outras coisas referentes a um idiota. O amor de criança, que não sabe a diferença de amor e dor de barriga. E o amor que todos querem, que todos sonham, que todos pedem, mas que ninguém sabe como consegui-lo. Tem gente tentando o Disk Delivery.

O amor pode ser tanta coisa. Aquele livro bacana, aquela risada entre amigos, aquele filme supimpa, aquele abraço querido, aquela esfirra de carne com Coca-Cola. Aquele amor momentâneo de vagão de trem, a dança na chuva, o ombro amigo, as cores de um quadro. O café quente. Um SMS na madrugada. Aliás, SMS é a versão moderna de um amor não correspondido. A probabilidade de acontecer é de quase 100%, se a outra pessoa não tiver crédito já elvis o amor. Fácil assim.

Já tive todos estes tipos de amor. Fracassei em todos. Pudera, não fiz o cursinho básico. Mas e daí? Os mais velhos escreveram que o amor é eterno. Hoje sabemos que o eterno dura até a aposentadoria, então ainda tenho algum tempo para aprender alguma coisa.

Por Henrique Guedes

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